jogo de espelhos

 

 

 

jogo de espelhos

 

 

 

[1.] Diálogos de intermitências, eu e a minha Alma. Estávamos de pé, como que quase desconfortáveis. Conversar rápido e com interrupções. Direto ao essencial. A necessidade de fazer algumas confidências básicas já previstas. No contra-pé da Luz partilhei um Sal refinado e branco. Os problemas que se adensam pedem decisões determinadas e não radicais. Não será o composto, mas naturalmente o disposto. Sempre na fuga ao tema musical. Em arte de virtuoso imerecido. Sou um fã do seriado “Dr. House”, professo meu tempo televisivo. Gosto de todas as situações e dramas. Do trabalho irrepreensível dos atores. Até os maus são bons. Impossível melhor. As doenças e as mortes, também, são boas. Eu que não sei como estar doente. Ficaria doente por puro prazer. A vida é também esse desequilíbrio. Quando não queremos a negação.

 

 

[2.] Chegou só com lisura. A palavra certa é essa. Além da necessária sinceridade. Até mesmo na autenticidade desprotegida. Mas teremos que tomar cuidado com a sinceridade, ela pode ser nossa inimiga na felicidade. Não dentro das pequenas felicidades. Nos projetos medíocres. Pois trata-se da felicidade maior. Felicidade do mais. Num processo de lisura, aí sim, voltamos ao foco. Não teremos concentração suficiente. Requeremos a suavidade do tato. O desejo do tato. Do tocar sem olhos, sem precisar olhar. Aí sim mora o Desejo. Essa autorização não violada. A pele que pede o beijo da pureza. Há beijos felizes mas impuros. Como os há, também, puros mas infelizes. Como escolher? Beijo escondido ou público. Um suspiro e a lisura foi embora. Sem uma despedida lenta. A lisura na pessoa e no entendimento. Tudo o que somos capazes. Lisura é a palavra do momento sem exagero.

 

 

[3.] Stainless Steel e risos irônicos. Vida célibe. Qualquer coisa que se perca em jogo de interesses terminará em corrupção involuntária? Pergunta extensa na resposta. Jogo de espelhos. As respostas pessoais deveriam ser indolores. Serão assim por experiência não vivida. As respostas comportam dor e cruz. A cada momento a sua Graça. Faltará o golpe da paixão? Não necessariamente por ordem e progresso. Há o caos interno. Há o fazer, o desfazer e o refazer. Os sentimentos não são amorosos. São outras coisas menos limpas. Preciso praticar a Penitência. Sobretudo purificar o coração. Problemas de vida entre a depressiva, distanásia; a querida ortotanásia e a nossa eterna arqui-rival, eutanásia. Só gosto de reduzir tudo a três. Em plena longevidade morreu-nos Claude Lévi-Strauss. O que me faltaria ler ainda em vida.

 

 

[4.] Não terminamos a conversa. Digamos que não chegou a ser interrompida. Pois nunca chegaremos ao ponto de nos dizermos por inteiro. Se fosse capaz de me dizer do lado avesso temeria as minhas consequências. Os efeitos colaterais seriam retratados com lividez. Na minha obscuridade existencial. Serei do tipo lívido. Não posso avançar, não sou caçador. Sou a presa. Sou a armadilha. Sou o laço e o nó. Feliz por estar em liberdade. Digno por tomar as melhores decisões familiares. Não olhar a custos. Discreto e próximo. Capaz de requerer serviços eficazes. Decidir não votar e depois votar em carta registrada. Duro na queda. Mole no martírio. Irônico na inteligência. Sagaz com certa tenacidade a longo prazo. Observador nato dos detalhes. E perfeitamente incompetente nos atoleiros e atolanços. Não haverá duas sem três.

 

 

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 05-11-2009.

Caracteres (espaço incluídos): 3346.

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