Como descobrir/construir a Verdade?

 

 

Como descobrir/construir a Verdade?

 

 

Muito para além do credo religioso, da experiência humana, do berço cultural, todo ser humano tem um compromisso sério com a Verdade. Simplificando, todos podemos inventar as nossas verdades. Contudo, ninguém pode inventar a Verdade, de acordo com a sua conveniência. Bem, então nos diga “já”, qual é a “Verdade Verdadeira”? Vamos sem pressas e sem indecisão. Primeiro. O ato de julgar (vamos usar uma roupa filosófica mais antiga…) ao ser emitido sobre as pessoas e as situações, tem de responder a dados reais, completos e verificáveis. É a nossa responsabilidade. É a nossa honestidade que está em causa. Se é que pretendemos levar uma vida séria e bem humorada.

 

Segundo. Quando falamos de opinião entramos no domínio do “opinável”, isto é, um assunto poderia ser de uma maneira ou de outra. É o campo dos temas complicados, impossíveis de serem demarcados. Mas para ser válida, a opinião deve estar fundamentada, também, sobre dados reais, e não inventados. Deve ser formulada de acordo com raciocínios lógicos, dentro de um contexto vital, em ordem a uma tradição de valor. Se não for assim, essa opinião, que cada um tem direito, é inválida, não importando quem pretenda sustentá-la. Quem emite opiniões inválidas com certa frequência acaba perdendo o respeito dos cidadãos sérios.

 

Terceiro. A lei da selva, a lei do consumo, a lei-da-decisão-técnica, em compensação, são formuladas (muitas das vezes, a maioria das vezes…) sem referência a razões plurais e aos valores éticos. O critério unidimensional outorga excessiva primazia aos “dados” (estatísticos, científicos, econômicos…). O jogo torna-se complexo, são “os dados” contra “as razões e os valores”. É aí onde pesam as intrigas da cor do dinheiro, o argumento do “papagaio”, as “empresas laranjas”, as diplomacias vazias e os maus contratos “anti” ou “pro” discriminação; onde o poder suplanta o direito, e as verdades se inventam para acomodar conforme a conveniência. Nessa maneira de estar no mundo, não há lugar para a “Verdade Verdadeira”. Os discursos repletos de ranço e pilantragem representam uma narrativa hipócrita, e os poderosos impõem a sua “vontade política”. Mas não é o fim da Verdade.

 

Quarto. Olhemos um caso exemplar. O exercício ordinário de prestação de contas credíveis é sempre uma prática usual e bem querida. Não aceitar esse dever público significa o aumento da “dívida pública” em relação à descoberta/construção da Verdade em sociedade. Com firmeza é preciso aceitar: "Sem verdade, sem confiança e amor pelo que é verdadeiro, não há consciência e responsabilidade social, e a atividade social acaba à mercê de interesses privados e lógicas de poder, com efeitos desagregadores na sociedade, sobretudo numa sociedade em vias de globalização, que atravessa momentos difíceis como os atuais" (Caritas in Veritate, nº 5). Não é favor a algumas vozes críticas a prestação de contas. Trata-se de um direito para com todos os cidadãos. Onde não se fiscaliza a corrupção da administração pública: aumenta a violência social e a mentira se instala. O cenário de mudança é uma vez mais adiado, através de ações plásticas de marketing e entretenimento desregrado. É uma cultura de consumo e não de rigor.

 

Sendo assim. O falso não pode virar verdadeiro. A meia verdade não existe, pois não existe a vida pela metade. Rigor, trabalho, transparência e disciplina na Administração Pública colocam-nos no caminho da descoberta/construção conjunta da Verdade. Exige-se respeito para com os diversos Conselhos Públicos. Sejamos cada vez mais, parceiros da Verdade em sociedade, e não cúmplices da Mentira nas instituições! O Povo sabe que só a Verdade libertará do assistencialismo e clientelismo, não queiramos continuar a ser enganados. É necessário “Olho Vivo no Dinheiro Público” (*) !

 

 

 

(*) Cfr. Olho VivoPrograma Olho Vivo no Dinheiro Público: http://www.cgu.gov.br/olhovivo/Noticias/2007/noticia200702.asp

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 28-10-09;

3766 caracteres (com espaços incluídos). Tempo: 3h30.

 

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