LULA, mais uma frase polêmica: não será a última.

 

 

 

LULA, mais uma frase polêmica:

não será a última.

 

 

 

1. Uma voz lúcida (oficial):

”Jesus não fez aliança com fariseus e saduceus” – POR Dom Dimas Lara

 

“Ao ser indagado ontem sobre as declarações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que se Jesus Cristo vivesse nos dias de hoje teria de fazer coalizão até com Judas para poder governar, o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Dimas Lara Barbosa, fez a seguinte observação: "Judas era um discípulo de Jesus. Mas Jesus não fez aliança com fariseus e saduceus."

A reportagem é de Lígia Formenti e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 23-10-2009.

Logo em seguida ele explicou que fariseus são "pessoas que parecem uma coisa por fora, mas por dentro são outra". Nos textos do Evangelho eles aparecem como adversários de Jesus, que os critica sobretudo por sua hipocrisia e avareza.

Questionado se estava se referindo indiretamente a partidos da base governista, especialmente ao PMDB, o bispo respondeu: "Quando falei em fariseus não estava me referindo a partidos políticos", explicou. Mas Deus conhece o coração das pessoas."

OPORTUNISTAS: Os fariseus e saduceus formavam dois grupos com grande força política e religiosa em Israel na época em que Cristo viveu. Os saduceus, segundo o Dicionário de Termos Religiosos e Afins, da Editora Santuário, constituíam um partido com "ideologia conservadora e oportunista, de sorte que se acomodavam ao poder dominante, neste caso a Roma". De acordo com a mesma fonte, os dois grupos contribuíram de forma decisiva para a condenação de Cristo à morte.

D. Dimas fez os comentários ao término de uma cerimônia na qual foi anunciado o lançamento de uma campanha que pretende estimular as pessoas a realizar o teste de HIV e de sífilis. A campanha é uma parceria entre a CNBB e o governo federal, por meio do Ministério da Saúde.

Logo após falar sobre as declarações de Lula, o representante da CNBB lembrou que está em discussão no Congresso o projeto de lei conhecido como ficha limpa, que tem como objetivo proibir candidaturas de pessoas com pendências na área do Judiciário.

"Quero aproveitar a ocasião para lembrar que a Igreja continua com a sua luta a favor do projeto de fichas limpas na política", disse o secretário-geral da CNBB. "A coisa pública exige o mínimo de ética de quem a pratica." Em suas declarações, d. Dimas lembrou ainda que a Igreja está preocupada com os pobres do País, que muitas vezes permanecem à margem da sociedade e dos processos políticos”.

FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=26854 , aceso: 23-10-09.

 

 

2. Uma voz lúcida (não – oficial):

 ”O realismo de Lula é admirável”, constata antropólogo    POR Roberto DaMatta

 

“O realismo do Lula como presidente é admirável. Estamos vivendo um momento de rotinização do capitalismo liberal e de mercado no Brasil, do qual Lula tem sido um instrumento importante, histórica e politicamente, e daí a reação a esse tipo de constatação. Ou seja: como fazer isso sem, em algum momento, vender sua alma ao diabo, trair um pouco, ter um curinga na manga e um plano B na cabeça, sem mentir ou exagerar e fazer alianças com todo tipo de gente?”. A constatação é de Roberto DaMatta, antropólogo, em entrevista publicada no jornal O Estado de S. Paulo, 23-10-2009. O antropólogo comenta a frase de Lula: "Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão".

Segundo ele, “Lula tem a virtude de falar claro. Às vezes eu penso que ele não tem inconsciente. De perto, a declaração pode parecer horrível. De longe, é a constatação da nossa face dupla, das nossas cumplicidades com o partido que não ia roubar nem deixar ninguém fazê-lo, mas o fez o mensalão; ressuscitou Sarney e quejandos, tem desmoralizado o Congresso; enfim, o nosso lado que odeia a lei valendo para todos – esse Judas dentro de cada um de nós que não quer mudar o "você sabe com quem está falando?" Já do outro lado há o Jesus dos pobres e dos famintos, dos honestos cordeiros seguidores da lei”.

Para DaMatta, “a política brasileira de distingue por dissolver em ácido todas as ideologias e todo o formalismo partidário. Nela, os laços pessoais passam por cima de quase tudo. E, em nome do possível, do realismo, fazemos tudo e deixamos tudo para o amanhã: esse nosso grande Judas”.

FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=26853 , acesso: 23-10-09.

 

 

3. Uma lucidez na voz (estudo e comunicação):

 

O meu comentário que não é bem um comentário mais um link. Remeto para alguém que tem feito destas “expressões e/ou frases polêmicas” objeto de estudo e pesquisa. Esse pesquisador atento diz assim: “De vez em quando aponto aqui as referências religiosas na imprensa escrita. Isto não tem qualquer pretensão académica. Mas parece-me que seria possível um estudo sobre as expressões de origem bíblica que se usam na linguagem escrita, ou sobre as expressões de cariz religioso… Haverá algum fio condutor para este uso? É irónico? É cómico? Conotativo? Denotativo? Na política? No desporto? Na economia? Na cultura? Só aponto. E claro que é um apontamento muito limitado, feito ao sabor da acumulação de três ou quatro recortes de frases que saltam à vista. De vez em quando atiro-as para o blogue.” (FONTE: JPF in http://tribodejacob.blogspot.com/2009/10/inspiracoes-4.html ).

 

 

Foi por isso que eu registrei este “causo” linguístico-institucional. O nosso presidente Lula é um “animal político” raro e genial. É um prato cheio nesta matéria e noutras realidades. Fica o registro simples e a chamada de atenção para: o Poder, a Linguagem e Comunicação de Massas. Quem tiver o “dom” de discernir, passa bem na frente dos “outros” e atinge a comunicação em profundidade. Quebra barreiras (e talvez preconceitos linguísticos, outro assunto infindável), não cria “ilhas”, ultrapassa bloqueios e constrói diálogo. Onde fica a Verdade, e o caminho para ela? Como fazer a leitura sociológica e antropológica, etc., numa sociedade da comunicação global em tempo real?

 

 

POR: Pedro José, 23-10-09, Chapadinha, caracteres (com espaço): 6049.

 

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