Escolher ou Escafeder-se? – Comentário: XXI Dom Tempo Comum – ANO B (23-08-09).

 

 

Escolher ou Escafeder-se?

 A quem iremos?

 

 

[Comentário: XXI Dom Tempo Comum. Ano – B: 23-08-2009]

 

 

Dedico a reflexão um Companheiro de Missão, com quem aprendo um conceito-palavra, de quando em vez, de um mundo que não compreendo…,

e do qual preciso de tradução permanente, de quem mais eu ouviria: “escafedeu-se!?”  Que sonoridade magnífica! Viva o ponto de exclamação!!!

 

 

Ler: Josué 24,1-2.15-18; Ef. 5,21-32; Jo 6,60-69

 

 

Disposição 1. A nossa escolha estará limitada ao Forró “Sacode” ou ao Forró “Sacudido”? Os dois num só show! [Exemplar: “Festejos de Chapadinha: O Maior Encontro – 14 de Set, Quadra da Caema]. É bárbaro (no sentido etimológico). Em tempos de gripe global, à escolha: receber a comunhão nas sagradas mãos ou na sagrada língua? A(s) nossa(s) escolha(s) está(ao) fixa(s): ao Bolsa Família, seus dias agendados; no emprego-consórcio (sempre sairá…) na Prefeitura e suas sucursais; tomar uma BRAHMA ou uma BOHEMIA, na Pizaria ou na Confraria; nas compras promocionais do Boticário; das agências dos celulares/telemóveis, 50 minutos grátis de conversação/murmuração ao fim-de-semana; das Lojas Paraíba (que vende máquina digital com garantia de 1 ano – para ser 2 anos é mais 6,00 reais na prestação mensal – e depois, diante da avaria casual, dizem ao cliente-comprador, que não têm nenhuma responsabilidade, quando ainda está dentro do prazo do seguro-garantia… ai do PROCON); no(a) namoradinho(a) A, B ou Z [entro em êxtase ao ver o jogo da Globo “No Limite”, e vem aí o “Big Brother 10 !?” Te cuida Globo! Porque a Record está de olho no bolo-sujo-da-miséria-humana!?] – Quem-da-Crisma-se-vai-inscrever? …oh adorável país da não-inscrição!? …quem sabe, com 1 milhão, não faríamos todas as capelas…incluindo as 8 do interior, destruídas pelas últimas enchentes, que o Governo Estadual, e suas secretarias e programas especiais, teimam em ignorar…]; escolhas, ainda, entre a missa das 7H00, das 8H00, 10H00 ou 20H00; entre a Passeata ou Procissão, NA RUA; ou a sacada da varanda ou cadeira à porta DE CASA; entre o famoso ‘Bita de Barão’, o “macumbeiro” mais bem sucedido do Brasil; ou as igrejas do “Encardido”. No fundo, Cristãos é tempo de acordar para poder escolher ou escafeder-se? [Nota breve: O velho e sábio Aurélio, diz que “escafeder-se” é “fugir às pressas; safar-se, esgueirar-se; A jovem e inteligente, Jéssica, ontem completou 17 anos, diz-me que é “sumir-se”; Eu digo que é “não assumir-se”: A Verdade é uma polifonia notável…].

 

 

Disposição 1.1. Escafeder-se é pois um verbo mordente. “Quem anda á chuva molha-se”. Quem participa e se assume, no batismo dos filhos (crianças ou mini-catecúmenos…); na festa da 1ª Comunhão; na Crisma (este ano já com dois grupos bonzinhos e um aguardando melhores dias…); nos mutirões de casamentos (feitos e a fazer… vem aí o Guiness Book); nos encontros de E.C.C.; nas miríades de reuniões de todas as pastorais e movimentos (unidos ou reunidos…onde está a Unidade Paroquial? Ouvimos (ou ouviram só as paredes da nossa Igreja Matriz) o Grito Profético, no final da passeata pela Semana da Família (16-08-09): “- Seremos uma Paróquia sem Alma?). Será que todos(as) se escafederam(-se), sumiram. E porque sumiram, nós ficaremos tentados a sumir também. Pergunto-me, na minha própria carne, quantas vezes, já pensaste em-deixar-de-ser-padre: saco de porrada; palhaço do capricho dos outros; carente de paixões e flertes, por ninfetas virgens descartáveis; mártir de causas perdidas (as privadas e as públicas); boneco queridinho de teologias retrógradas das estruturas supra-oficiais. SIM tu pedro josé, que tens dentro de ti o pedro-apostolo amigo e traidor – quantas vezes, senhor padre omisso e submisso, que ainda tem compromisso radical.

 

 

Disposição 1.2. – A lei básica da física é a inércia (talvez com mais rigor entropia). Também é a lei psicológica. Somos inertes. Somos sensíveis a essa virose. Que barqueiro quer remar contra a correnteza? Nenhum. Todos só querem descer. Qual é a lei básica da Vida Espiritual? Recuso-me a fazer o “Download” do meu “lacanismo” proscrito: “Não cedas no teu desejo”. Somos Dom e Graça. Ou somos, também e sobretudo: Dom e Graça. Um filão teológico emerge a partir daqui: “Deus não é dureza; Deus é Ternura”.

 

 

Disposição 1.2.1. – Somos imensamente frágeis [Notável confidência amiga de um título, o livro está a ser pesquisado e redigido: “Pastor Frágil”: excelente filão, se não for o vilão da história… “porra” que já não posso plagiar inconscientemente…]. Pelo menos Eu-o-sou. Ajudado, também imensamente, pelos nossos agentes culturais e empresários chapadinhenses, pergunto-me sem rancor ou inocência. Quando vier a Irmã Morte que seremos efetivamente – vítimas deste lixo económico-cultural, mês após mês – …quem “Sacode” ou será “Sacudido”? Aí não haverá lugar a Outra-Escolha-Falsa (falsificável). Ninguém “sacode” a Irmã Morte. Somos todos(as) “sacudidos”. Ironia caustica da Ciranda da Vida. Caros(as) Jovens! Numa pousada-motel, da nossa cidade (com + 70.000 mil, dados recentes do IBGE), durante as minhas caminhadas das 6H00, preparando a prova de S. Silvestre em 2012 (ao fazer 40 anos…), vi e li um slogan publicitário, que me impactou: “Prazer sem limites”. Nós cristãos, pelas nossas escolhas diárias e permanentes, ou nos escolhemos, por vocação-missão em Deus, OU, nos escafedemos. Temos de assumir o bônus e o ônus. Temos de assumir o “Prazer com limites”. A Alegria da Cruz, que não é mórbida, mas a doação por inteiro, a renúncia do sacrifício (fazer sagrado) definitivo. “A quem iremos, Senhor? Vós tendes palavras de vida eterna!” Quero a vida com Prazer (Alegria e não Folia); quero a minha vida com limite (não No limite…,novamente, na contra–mão do Anti-Jogo televisivo… Pois sou limitado, finito, demarcado…); quero e preciso escolher de modo rápido e sagaz. Quero intensidade, mas também, densidade. Quero escolher e não escafeder-me!

 

 

P.S. PREZADO […tratamento do Magistério em assuntos sérios…] Padre: Cuidado com o que comporta a “Não-Escolha” (humana e evangélica): “A ausência de risco é sinal seguro de mediocridade” – Carlos de Foucauld. [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº05].

 

 

POR:  Pedro José, Chapadinha, 21-08-2009. Caracteres (espaço incluídos): 5735.

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