“Filho Pródigo” – poema de Ernesto Guerra da Cal

 
 

 

 

Antelóquio desnecessário – Esta poesia não se explica. Eu não vou explicar nada… apenas referir que, hoje, o meu ‘exercício’ de confessor, andou por aqui… Fui retirado a contragosto das tarefas ordinárias e profissionalizantes, para ‘atender–de-confissão’ e meio contrafeito, fui e consegui sair eu próprio confessado. Sem presunção ou desespero. Confissão não é só psicanálise ‘a baixo custo’. Confissão não é fugir da responsabilização. Confissão não é apenas terapia e libertação. Confissão é sobretudo Pecado perdoado (amor plenificado…) e Graça, no caminho, na verdade e na vida, do mestre Jesus. Sou muito limitado ao perdoar com o meu ‘nome-rosto’; posso apenas perdoar em nome-rosto de Cristo, que se faz presente numa Igreja-Comunidade, também ela, como nós humanos, santa e pecadora! Este “Filho Pródigo” sem consultas ou redenções a ‘gosto’ sou eu próprio. Ou o meu próprio Eu – Museu de Ontens e Hojes – é este Filho Pródigo Universal. Que bom poder falar em ‘Voz Alta’ não policiar a nossa Consciência. Dois ouvidos são mais belos que dois olhos, duas pernas, dois cotovelos, duas… Ouvidos, silêncio, e ação: a maravilha do Perdão está diante de TI.

                 Fica a Poesia já me alonguei!

Por: Pedro José, Chapadinha, 12-08-2009.

 

 

 

Filho Pródigo(*)

 

 

Abre-me a Porta

Pai!

      Abre-me a Porta!

 

      Porque venho cansado

e derrotado

desfeito

pobre

e nu

      e envergonhado

 

      Tudo esbanjei

Só trago

      encravados no peito

nele bem entranhados

      os pungentes punhais

de todos os Pecados Capitais

 

      Delapidei o rico Património

do teu Amor

      na subida

      arrogante e pressurosa

da Montanha da Vida

 

      E hoje conheço a Dor

Da descida agoniante

      trémula e vagarosa

pela encosta abrolhosa

      na que nos acompanha

      o impiedoso demônio

da consciência dorida

da fortuna malgasta

      dissipada

      e a existência perdida

 

      Abre-me a Porta

Pai!

      E acende a luz da Casa

que outrora foi a minha

     quando eu era inocente

                              criancinha

 

      Não me tardes

Senhor!

      Abre-me a tua Porta luminosa

depressa, por favor!

 

 

(*) FONTE: ERNESTO GUERRA DA CAL in Futuro Imemorial (Manual de Velhice para Principiantes), Livraria Sá da Costa Editora, Lisboa, 1985, pp.112-113.

 

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Uma resposta a “Filho Pródigo” – poema de Ernesto Guerra da Cal

  1. Laura Ferreira diz:

    Este poema é muito lindo, e rico! ” Abre-me a porta pai ” …

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