“Vai ser sempre assim…” – XVII Tempo Comum (Ano B: Jo 6,1-15)

 
 

vai ser sempre assim e não se pode mudar”.

 

 

[Comentário: XVII Dom  Tempo Comum. Ano – B: 26-07-2009]

 

Ler: Jo 6,1-15

 

 

Disposição 1.. Jesus ergueu os olhos e viu uma grande multidão que vinha ao seu encontro.

Jesus, o que ele faz? O que Ele sentirá ao contemplar a multidão que se aproxima? Um teólogo agrega outra pergunta a este fato: será que ele discerne nela a todos os seres humanos que, depois de elevado da terra, ele deve atrair a si? (cfr. Jo 12,32). O relato situa de vez Jesus doador diante da multidão; seu gesto gratuito depende do olhar que dirigiu a ela.

 

 

Disposição 2. Então Jesus disse a Filipe: «Onde vamos comprar pão para eles comerem?»

A pergunta que ele faz a Filipe: “Onde vamos comprar pão para eles comerem?”, nos revela duas coisas. A primeira é que Jesus soube ver a necessidade de esse povo faminto. E a segunda é que não é indiferente à mesma, o verbo “vamos”, conjugado na primeira pessoa do plural, indica que somos todos co-responsáveis em buscar soluções. “Não há receitas há caminhos”.

 

 

Disposição 3. André disse: «Aqui há um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas, o que é isso para tanta gente?»

Este discípulo soube descobrir esse menino com sua pequena contribuição: cinco pães de cevada e dois peixes, o alimento diário da gente pobre. Naquele tempo, as crianças não eram consideradas pessoas, por não terem atingido o uso da razão. Mas André não está convencido que “sua descoberta” possa servir para alguma coisa, a pequena faísca que representava o menino com seus dons, ele mesmo estava a ponto de apagar! Como os pobres vão poder contribuir na mudança de alguma coisa? (Cfr. Grameen Bank, o Banco dos Pobres, que surgiu em Bangladesh – fundador Prof. Muhammad Yunus).

 

 

Disposição 4. Jesus pegou os pães, agradeceu a Deus e distribuiu aos que estavam sentados. Fez a mesma coisa com os peixes. E todos comeram o quanto queriam.

O milagre do pão é, sem dúvida, um dos milagres mais significativos da tradição evangélica. Chama a atenção que os quatro evangelistas o mencionam em seus escritos, o que não acontece com nenhum outro milagre. Primeiro ele pediu que todos se sentassem na grama. O que não é um pequeno detalhe, pois só as pessoas livres podiam se sentar para comer! Depois de agradecer, começa ele mesmo a distribuir a comida. Com a ação de graça, Jesus nos remete a Deus Pai, doador de todo o bem, que em seu projeto de amor tudo criou para seus filhos, sem excluir ninguém!

E o milagre acontece, o pouco se torna muito, porque Deus fecunda a partilha até da mesma pobreza que não se guarda para si! «Milagre» outra coisa não significa senão «maravilha». O traço característico não é uma intervenção dita sobrenatural, mas sim o chamar de atenção. O milagre provoca espanto, porque assenta na consciência desta desproporção.

Se Jesus Cristo tivesse dado os 5 pães e os 2 peixes de que fala o evangelho, teria, quando muito, matado a fome a umas 3 pessoas! Mas o evangelista sublinha uma arte já bem manifesta pelo profeta Eliseu (1ª leitura): a arte de multiplicar o que é bom. Multiplicar divindo. Dividir multiplicando. Não há paradoxo, há a justiça que precede a caridade. A ideia central é a de que com o pouco se faz muito – digamos ser um mote do famigerado “reino de Deus”. Não reside nesta arte a “justiça rentável” da suspirada nova ordem económica?

Não é verdade que um simples sorriso pode criar um ambiente positivo à nossa volta? Mas também é verdade que uma andorinha não faz primavera: é preciso que venha o bando inteiro, como é preciso que o sorriso se multiplique – e isso, pelo menos, requer a arte da persistência… E por que não fazer com que um obrigado, um gesto de ajuda, uma campanha de filtros de barro para beber água (cfr.Paróquia de S. Francisco – Mata Roma, projeto Irmãs Missionárias da Boa Nova), um se faz favor…, um elogio… cheguem aos bandos?

Seria a verdadeira multiplicação do bem-estar – um “segredo” conhecido por todas as grandes empresas (incluindo instituições de bem-fazer), mas que infelizmente o preferem ignorar, porque dá trabalho cultivar e aplicar uma visão ampla da existência humana. Não multiplicando este bem-estar, a multiplicação dos REAIS gera dilúvios (o que se pode ver na insensatez e miopia de muitos políticos – e dentro da consciência de cada qual… onde estão as Políticas Públicas… os Territórios da Cidadania…Luz para Todos… Água e Terra…).

Fiquemos com a aragem promissora da multiplicação de respostas aos nossos mais profundos desejos. Não deitemos fora os 5 pães nem os demos ao virar da esquina: estudemos a arte de os multiplicar.

 

Calo bem dentro do peito…

Não dê – multiplique!                   Não sugira – comece agora!

Não guarde – divida!                    Não invente problemas – partilhe soluções!

Não empreste – plante!           Não se preocupe com poupanças – experimente ser dizimista!

 

 

 

Disposição 5. Jesus percebeu que iam pegá-lo para fazê-lo rei. Então ele se retirou sozinho, de novo, para a montanha.

O livro do meu desassossego, que me faria santo em “banho-maria”: “Sozinho, mas não solitário”, de Wunibald Muller, Editora Vozes, 2009, pp.143. Li, rezei, protestei, comi e vomitei, quase chorei de rir e o contrário. É um manual de sobrevivência! Espiritualidade radical, faz da fraqueza superação.

 


Meu corpo é Comida

 

Minhas mãos, essas mãos, Tuas mãos

fazemos este Gesto, partilhada

a mesa e o destino, como irmãos.

As vidas em Tua morte e em Tua vida.

 

Unidos no pão os muitos grãos,

iremos aprendendo a ser a unida

Cidade de Deus, Cidade dos humanos.

Comendo-te, saberemos ser comida.

 

O vinho de suas veias nos provoca.

O pão que eles não tem nos convoca

a ser Contigo o pão de cada dia.

 

Chamados pela luz de tua memória,

marchamos ao Reino fazendo História.

Fraterna e subversiva Eucaristia.

 

Pedro Casaldáliga

 


 

 

 

 

 

P.S. “Quando for grande quero ser padre para poder falar em todas as missas(Pe. João Manuel Gonçalves). O padre como o comunicador nato do Silêncio, porque é o Ouvinte treinado da Palavra” [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº03].

 

 

 

 

FONTES consultadas:  http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_servicos&Itemid=38&task=detalhes&id=2, acesso: 25-07-09. MANUEL ALTE DA VEIGA, “Não dê – multiplique!”, in  http://www.prof2000.pt/users/avcultur/altedaveiga/litpag000.htm, acesso: 25-07-09.

 

 

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