querer a congruência

 

 

querer a congruência

 

 

Deus dispõe amorosamente – Tudo programado mas Deus fica fora das programações, estas não resistiriam um segundo sem a Sua Graça Divina. Não adianta impor. É o brando que permanece. No entanto, daí advém algo de perplexo, é necessário algumas vezes – não demasiadas vezes -, falar “duro”. O problema radical é que o nosso tempo, e tempo é mentalidade, é preferencialmente, um estado “líquido”. Não sei desprogramar o quotidiano de maneira adequada. Falta de férias e falta de algo mais: opções fundamentais ou fundamentadas.

 

 

Humor existencial – Não passo sem ele. Um sorriso aqui, uma piada mais tarde. Aforismo tanto faz. Rito do absurdo: esplendor do caos. É sintomática a terapia do rir voltado para os atos falhos. Passo mal se não o faço. Adoro fazer do ordinário burocrático uma trapaça risível. Depois emerge o culto secreto da fina ironia. Há também a ironia cáustica. Sofro e faço sofrer como adolescente sem uso do corpo racional. Há códigos para tudo. Não posso dar explicações, intuir, especular com o devido respeito. Jogo da cega.

 

 

Necessidades inúteis – Os meus pequenos pecados, são grandes vícios. O contrário também é mentira. A inutilidade persegue-me e eu curioso, descentrado acabo por não fugir. Deveria fugir de quê. Abdico das grandes causas dum hipotético status. Todos os dias a insistência numa boa ação, qual escoteiro mal comportado. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. O meu purgatório não tem urgências, diante da ingerência de todos os infernos inexistentes. Sou um ser necessariamente inútil. Não me justifico. Ganhar o pão com dignidade.

 

 

Prestações sem dívidas – Não é necessário pedir. É necessário exigir? Não creio. Receber os bens e os males. Faço tudo o que está ao meu alcance e não desprezo a função da Sombra benfazeja. Sei das minhas capacidades limitadas, das predileções para ser um delfim cinza. Primeiras águas cristalinas contudo engarrafadas. Não posso engarrafar o Amor-próprio. Não posso engarrafar a Ternura dum riacho ao luar numa noite sem lua. Luar sem lua: só um lírico perdido o poderia escrever. Pobre tristeza. No fundo nostalgia dum quase-nada.

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 15-07-09;

2101 caracteres (com espaços incluídos).

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