A Política Não É Religião

 

 

A POLÍTICA NÃO É RELIGIÃO (*)

 

 

“A vida é uma escola. O tempo faz-nos compreender a razão de muitas atitudes e acontecimentos. Sempre procurei compreender por que alguns católicos não aceitam que a Igreja se preocupe ou que os padres falem de política. Não aceitam e se revoltam quando isso acontece. Há dias dizia-me um senhor: "cada macaco em seu galho!".Fiz-lhe compreender que política não é coisa para macacos, nem deve servir para quebrar galhos. Política é coisa séria, própria para gente comprometida com o Reino de Deus. Mas também pode ser espaço de pecado, campo para agradar ao encardido e pecar. Política é coisa importante, porque dela dependem todas as relações entre as pessoas, ela influencia todas as situações da vida, ela pode dificultar a realização do Reino de Deus, impossibilitar o desenvolvimento, negar a educação e a saúde à sociedade. Política tem tanta força que penetra em todas as realidades da vida. A marginalização de muitos, a miséria de uma grande percentagem populacional, a falta de trabalho, a dificuldade em educar os filhos e ter habitação, o preço dos produtos que cultivamos e dos que compramos… tudo isso depende muito da política. Quem faz política boa é virtuoso, é artista, exerce a caridade. Quem faz politicagem é corrupto, é ladrão, torna-se ganancioso e prejudicial aos outros. Por isso é necessário evangelizar a política.

 

Hoje compreendo, (embora não aceite!), a razão de muitos católicos não quererem que a Igreja fale de política. É que eles pensam que política é religião, uma verdadeira religião, antiga, paralela, às vezes oposta e sempre preferida à Igreja Católica ou a qualquer outra. O imperador antigo julgava-se deus e todos deviam adorá-lo. Tudo o que mandava era obrigatório e santo. Hoje política é deusa. E tem muitos adoradores com moral especial, crenças impossíveis e práticas obrigatórias… tudo organizado como se política fosse a melhor das religiões. Obedecem-lhe cegamente. Como virtudes têm a esperteza, o oportunismo, a corrupção. Trocam o bem comum pelos interesses particulares, a verdade pela conveniência, os necessitados pelos parasitas insaciáveis, as ações públicas por atos secretos, a justiça pela arbitrariedade, a dignidade pelo prestígio… A oposição é uma farsa ensaiada, a ética uma brincadeira intelectual, a promoção social uma necessidade sempre adiada, a denúncia, crime imperdoável. Sacrificam os valores aos interesses, preferem os jeitinhos à graça divina, elogiam mais a proteção política que a salvação, celebram mais a vitória de seu candidato que a Ressurreição de Cristo. Aceitam todo o disparate, elogiam toda a safadeza, desculpam toda a corrupção, escondem todos os abusos e não permitem que ninguém se refira à verdade do que acontece. A verdade é coisa a evitar, a não transparência é esperteza. Os desvios de verbas públicas são bagatelas, os jeitinhos têm força de alienação e tudo desculpam.

 

Por esta política-religião tudo se deixa: família, filhos, a Igreja, princípios morais, Deus. A ela tudo se sacrifica. Nela tudo se desculpa.

 

Tudo estaria certo se o deus desta religião-política não fosse o diabo”.

 

 

 

(*) FONTE: in Vida Nova – Boletim Formativo e Informativo das Paróquias de Chapadinha e Mata Roma // DIRETOR – Manuel Neves // DIRETOR-Adjunto – Pedro José; N°25 – 05/07/2009, p.4.

 

 

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