Exercícios de Vida

 
 

 

Exercícios de Vida

 

 

 

[1.] As iniciativas se mesclam sem pausas. Fúria existencial permanente. Nós precisamos de pausas, sentir a respiração, sentir os batimentos. Pausas a curto, médio e longo prazo. Parar, só isso. Claro que não se recomenda o “quietismo”. Mas a vertigem tecnológica impôs uma vertigem humana. Não há compatibilidades. Não podemos avançar à mesma velocidade. Há custos de produtividade. Há a diferença abissal entre fecundidade e eficiência. Nós humanos somos eficientes porque somos fecundos. Não é o contrário. Na “máquina” não há humanidade, há apenas resultados percentuais e estatísticos. Apenas essa diferença ontológica, imprime a obrigatoriedade da humanização sobre a condição de tudo se transformar numa tragicomédia sem Sentido.

 

 

 

[2.] Pausa para falar e melhor seria conversar. A arte da conversa. Da partilha dos pontos de vista, dos resultados, dos sonhos, dos medos escondidos no porão da consciência. Conversar em voz alta. Conversar as afinidades desconexas, os caprichos psicanalíticos, as perdas afetivas. Quando converso com os amigos e as amigas, quando converso com Deus (nas formas da natureza ambiental): fico mais UNO! Conversar faz parte das minhas necessidades básicas. Comer, beber, dormir, ler, rezar missa, andar a pé, “navegar na net”, ouvir as músicas, fazer silêncio, sentir as texturas e os aromas/perfumes, e por último, a sublime conversa. Converso comigo todo o tempo. Deus é um ótimo conversador. Trabalha-me os silêncios exteriores.

 

 

 

[3.] Estou a ser objeto de consulta. Estou em tempo de consultas. Partilhei direta e indiretamente. Pois ser consultado é tornar-se “sujeito” de consultas. Mas a síntese, ou melhor, os diversos planos e cenários não se clarificaram. Ainda não. Sinto e penso que não disponho de suficiente distância crítica. Preciso de distância para formular. Não posso divergir. É tempo de convergências. Há assuntos que inflamam a minha alma racional. Não quero ser “franco atirador”. Um dos critérios fundamentais do cristianismo é o Espírito Comunitário. Não posso entrar em contradições. Não pode haver desperdício da experiência pessoal. Dizer e não dizer. Escrever não significa assinar um cheque em branco. Muito não falta sim.

 

 

 

[4.] Muitos casos pastorais mimam a postura de credibilidade mínima. Onde está a coerência e a transparência éticas? Onde está a seriedade bem humorada? Onde está o sentido de Justiça que só pode ser relativo em ordem ao Amor? Há uma falta de humor vital. Vidas sem cor. Vidas sem raiz no essencial. Vidas que não têm o gosto do viver livre. Tudo muito bem para “cá” e para “lá…” mas desculpe!? …sinto muito!? …apesar de tudo, de todos os argumentos sérios!? Não pode fazer a comunhão eucarística. Está impossibilitado(a). A regra e a norma. A disciplina e o direito. Dois pesos duas medidas, duas igrejas, muitas igrejas… cada vez mais. Dois evangelhos? São quatro canônicos, fora os outros. Continuamos a fechar portas e janelas, quando Deus faz exatamente o contrário. Até quando? Não ao cristianismo líquido.

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 26-06-2009.

Caracteres (com espaços): 3004

 

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