AdelaidePassos@aDEUS.ceu.com.nt – In Memoriam (03-06-2009)

 

 

AdelaidePassos@aDEUS.ceu.com.nt

– In Memoriam –

 

 

Hoje, dia 3 de Junho, às 8H31, durante 34 segundos, o mundo parou…numa ligação de “celular”, feita pela minha irmã de sangue. O mundo parou… seco e frio! Almas ressequidas por dentro.

 

Era a noticia do falecimento. Esperada? Mas não consentida. Parei totalmente por dentro. “-Não quero fazer mais nada hoje!”. Não parei… por causa da tragédia humana (e técnico-científica), do voo AF 447, da Air France, já “sepultado” nas profundezas do Oceano Atlântico, na indizível dor humana (global). E ainda que seja “verdade estatística”, que a aviação continue a ser o meio de transporte mais seguro na face da terra: não vou “ser-mais-o-mesmo”, quando entrar dentro dum avião. Não parei, também, por causa da “concordata/falência técnica” da poderosa GM, e do respectivo artigo de Michael Moore (o “bobo” de serviço dos EUA, que ninguém leva a sério…) publicado no Global Viewpoint e reproduzido pelo jornal O Estado de S. Paulo. Não parei, ainda…, diante da revelação – nada escandalosa -, da amizade íntima, entre Karol Wojtyla e Wanda Poltawska – a “caríssima Dusia" – que tanto incomodava, o secretário pessoal, Dom Stanislao Dziwisz, pela familiaridade: Wanda ia à missa privada do Papa com as pantufas da noite (tinha os pés doentes por causa de seus problemas físicos). A correspondência entre ambos durou 55 anos. Para mim agora é mais Santo porque mais Humano. Naturalmente… só pode ser deste modo a Santidade como processo.

 

Destes três exemplos, entre dezenas de outros a escolher, o “meu” dia apenas começou… NADA me fez ou vai fazer parar… deste modo intenso e real… agorinha, eu parei, diante duma morte pessoal… das outras notícias tive “um” conhecimento, desta noticia “tenho” “o” conhecimento feito de Amor. Amorização da Vida é “isto”. Conhecimento feito Relação. Conhecimento feito história em comum. Eis a diferença, que faz a atitude comprometida. Minha, dos familiares vítimas do voo AF 447; dos desempregados (não os “executivos…”) da GM; e de todos os cristãos ecumênicos que querem o cumprimento pleno do Vaticano II, de acordo com o espírito e obras, de João Paulo II, o amigo íntimo da Dusia.

 

Faz hoje um mês. Precisamente um mês. Nada mais, nada menos. Um mês depois… a Irmã Morte veio e levou-nos a nossa querida Adelaide. No passado domingo, dia 3 de Maio, escrevia-me, por e-mail, “Pedro, aliás Sr. Padre Pedro, agradeço-te do fundo do coração, as tuas palavras de alento e as orações, nesta hora tão difícil.

Já tive momentos muito maus, em que deixei de acreditar em tudo. Já tinha perdido a esperança.

Mas com a ajuda de outras pessoas e das tuas palavras, a esperança renasceu.

Vou ser internada agora dia 8 e o transplante é dia 18.

Vai ser uma luta renhida entre mim e o meu doador americano, mas estou convicta de que ele vai vencer.

Se não te importares gostava que incluísses este americano, nas tuas orações, por ter sido generoso ao ir doar-me a medula.

Beijinhos Adelaide”.

 

Rezei por ela em missas e terços pessoais. Falei e preguei através dela em homilias várias. Recordo o que lhe escrevi, para poder receber dela uma “Prova-de-Fé”, daquelas que nos deixam tranqüilos e reconciliados, diante dos nossos mundinhos, feitos de artifícios e banalidades. O que então tentei escrever, não dizendo.

“Olá Adelaide! Amiga Adelaide…

A minha irmã Cristina partilhou comigo o teu estado de saúde e os tratamentos delicados que estás a fazer, para além de tudo o que se passou e passa com a recuperação do teu filho João… a situação não é nada fácil!

MAS recordo com saudade a Adelaide do "grupo de jovens da Borralha" […] a jovem alegre; enérgica… até irreverente, no bom sentido… e, sobretudo, a jovem de fé… SEI e REZO para que não baixes os braços… no entanto, precisas de uns apoios… como MOISÉS.

Enquanto lutava pelo povo, as pessoas-amigos erguiam, sustentavam, os seus braços para que não houvesse batalha perdida… A comparação não é rica, mas é a que me ocorre… ESTOU contigo…[…] Não estás sozinha…. nem dos amigos, família e nem, muito mais da parte de DEUS.

Dispõe, sempre, do amigo e padre: pedro josé” (Chapadinha, 13 de Abril 2009. PS. Desculpa alguma ousadia e franqueza na linguagem).

 

Almas que se comunicam a todas as horas. Nas horas sem minutos. Se posso ter a ousadia de abrir parte da minha intimidade, sigo o exemplo de João Paulo II, (mas peço perdão por algum despudor, à família nesta hora dolorida, por revelar um pouco a da Adelaide e da sua história de Luta…), não o faço ao gosto “mediático” de alguma “pós-modernidade…” ou de qualquer outra conjuntura. Faço-o para revelar a grandeza da luta da Adelaide, luta pela VIDA, até ao fim. Esta é vida que ganha a Vida Eterna. Perdendo, ganhou. “Quem quiser guardar a sua vida, vai perdê-la; quem perder a sua vida, por causa de mim, terá cem vezes mais”, as entrelinhas evangélicas, não mentem. Recordo o que li num livro, difícil e profundo, de Bento 16, sobre Jesus Cristo, o teólogo-papa, se questiona: “Mas de que é que vive o homem?” Resposta (que é proposta…): “O homem vive da verdade e do fato de ser amado, de ser amado pela verdade”. A memória amada (porque amou) da Adelaide permanece em mim, permanece em nós. Não somos só: um aglomerado de erros e contradições. Somos um mundo de relações e uniões, laços cativos de amor e graça, humanas e divinas. Tudo isso vejo no olhar único da Adelaide (que Olhos Únicos! Azul castanho…Castanho azul…), nos seus Passos de vida, por hospitais, consultas, salas de aulas, igrejas, ruas, etc, nas nossas casas, quando nos visitava, alegre e serena… Passos dirigidos com pressa á Morada do Deus Pai. Que verdadeira ultrapassagem pascal. Nos teus passos reconhecemos a mesma Fé do Mestre, que não nos deixa desesperados, apenas, profundamente doloridos, com a tua perda querida e tão inesperada. Algo de precioso ficou por ser cumprido mas foi belamente enunciado.

 

Bruscas palavras as que escrevo, não escrevendo ao certo… Acaso, que é caso de história comum… HOJE, na missa comunitária, aqui encontrado no nordeste do Maranhão, perdido nas enchentes dum inverno mais rigoroso, pelas 20H00, na Paróquia de S. Francisco (Mata Roma), partilharei uma intenção, muito especial, a nossa querida Adelaide Passos, que ela possa também receber, esta pobre mensagem. Já fiz o meu click de envio: ADELAIDEPASSOS@ADEUS.CEU.COM.NT

 

Para a sua Família Enlutada, de modo inteiro e pessoal, na dor profunda, aos insubstituíveis Pais, Irmão, ao pequenino João, ao Esposo, agora viúvo… Por todos nós amigos(as) (in)consolados(as)… desculpem o “tom palavroso”; é o meu modo de estar junto e longe! Coração a coração, na Amizade da Adelaide, na memória da Sua Luta pela Vida, até ao Fim!

 

 

Nesta hora tento não ser indiferente, ainda que seja profuso nos meus sentimentos e minhas palavras possam ser apenas ínsitas. Minha Solidariedade e Oração, à Família e Amigos(as), nesta hora decisiva da nossa Fé.

pe. pedro José, Chapadinha-MA, 11h38, 3 de Junho 2009.

 

 

 

 

 

POR: Pedro José, 03-06-2008.

Caracteres (espaço incluídos): 6930

 

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