Mentalidade do “bamburrar”

 

 

Mentalidade do “bamburrar”

 

 

 

 

 

[1.] O que é bamburrar? É um termo que os garimpeiros utilizam quando pensam em encontrar aquela “pedra de ouro”, em que você vai ”enricar”. Aqui junto com o “bamburrar”, há a mentalidade do “bamburrar”. Pergunta-se: sem olhar a meios? Não. Há uma “ética do bamburrar”. Onde só cabe um clube restrito de eleitos…, que professam religião e exercem cidadania. Somos criativos e não meros repetidores. Agora meus amigos, – já sei que estou num país livre e democrático, e pretendo contribuir como qualquer um para que seja mais livre e mais democrático – o “enricar” não compra a dignidade humana; não dispensa uma postura “de” trabalho e só depois “o” emprego. É como me confidenciava a dona de empresa comercial local – mãe, dona de casa e profissional ao mesmo tempo – ao pretender contratar uma doméstica, com direitos trabalhistas… A candidata entra em casa, no primeiro dia de trabalho, após olhar as dimensões físicas do local de trabalho (não “o” emprego…) na futura família, exclama: -“Para mim não dá… a casa da Srª é grande demais!”. Fechar parênteses. Isto é consensual. A mentalidade do “bamburrar” não entra aqui.

 

 

 

[2.] O quente da questão – aí entro num ninho de vespas ferozes…- é a disputa por abadás, festivais de inverno e de verão, campanhas de shows (desde já anunciamos que, em setembro, também, entramos na luta da concorrência e o Ministério Público terá de ser árbitro capaz)…; levadas elétricas e tecno; os famosos patrocínios das diversas cervejarias; as bandas de renome internacional, em Bahia, Piauí, Ceará e mais 3 Continentes…; as verbas do governo de Estado para iniciativas de Cultura e Juventude, nas respectivas Secretarias (e pseudo-secretarias…); verbas que formam até consórcios, pasme-se! Aqui caro leitor e cidadão, todos conjugamos: eu “bamburro…” tu (que és meu sócio…) “bamburras…”; nós “bamburramos” sempre dentro da Lei; “ELES”, os da oposição… (dos outros lados políticos, e não só, quando querem comer o bolo todo de uma só vez…) “já-não-bamburram”: isto é, são irresponsáveis e sem moral… Eles “desviam” o nosso dinheiro público, para amigos e afilhados, e restante comitiva que participa na “procissão de enterro”. Não será a “folclorização” da nossa Cultura, no varejo e no atacado, para todos os gostos e feitios?

 

 

 

[3.] Todas as pessoas são muito motivadas por esta história do “bamburrar”… Eu também o sou. Está no evangelho que lemos e amamos. O Sr. Jesus chega a elogiar “esperteza marqueteira” (que não é só “o jeitinho brasileiro”…), em detrimento da inteligência moral. Também há a histórica demonstração: a “ética protestante” “bamburrou” com mais eficiência do que a “ética católica” – …breve pausa para edificação mútua… – o mestre desta “bamburração-empreendedora-geral” (B.E.G.) não é (não o chega a ser…) Max Weber, e a sua obra, “A ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”; aqui o mestre, dá lugar ao orientador, em pós-graduação, o tristemente famoso, Maquiavel, e sua obra, “O Príncipe”, no nosso caso podíamos dizer também e suas “Princesas…” / seus “Príncipes…”, pois são vários os domínios de ação e as(os) candidatas(os), na disputa do prêmio final. Há que ter ambição, muita ambição, em Chapadinha. Caros Chapadinheses, ambiciosos precisam-se com urgência! Ganância é outra coisa! Medidas de segurança, planejamento e plano diretório municipal, serviço público de qualidade, direitos trabalhistas e ambientais, são outras coisas bem diferentes. O que é Publico no Brasil tem Dono! É da União, está consagrado na Constituição, pertence a todos(as) os(as) Brasileiros(as)!

 

 

 

[4.] Tem uma disputa feroz, ao nível econômico-financeiro, político-admistrativo, ambiental e religioso, entre nós. Em realizações de “mega-eventos” com chuva – mesmo parando de chover, na altura certa… já “quebramos tabu” – já foi quebrado pelo menos uma vez antes, mas ficamos só na menção, para que a memória alheia possa ser resgatada mais tarde… – também outros “tabus” precisam ser quebrados, como exemplo, “o mesmo feijão com arroz”, como receita de sucesso garantido! Não há receita exclusiva…devemos ser ecléticos, sem ser relativistas e amorais nas propostas de padronização cultural. “Sempre-a-mesma-coisa”, cansa e dá fastio ou nojo, e será um profundo empobrecimento, para todas as gerações! Zoada “Infernal”! Assim é impossível o diálogo de gerações! Aumenta a distância. A solução passa por fazer pontes e não levantar muros.

 

 

 

[5.] Com esta reflexão inicial vamos fazer com que o promissor desenvolvimento de Chapadinha, “cidade das diversões e lazares”, pacíficos e familiares, vá “pelo ralo”. Não senhor! Quem assim pensa foge do sadio debate de idéias! A renda vai cair mais da metade, o emprego (não o trabalho) cai dramaticamente. E aí sim, nós ficamos com o ônus de contribuir para administração de um município falido, que não tem mais economia para movimentar e viramos município-tipo que depende de programas sociais do governo. É péssima esta dinâmica. É a pior do mundo. Não queremos é a pobreza cultural e de mentalidade que reina entre nós! Somos pela mudança! Não estamos a destruir a livre iniciativa de uma geração inteira: empreendedores, comerciantes, agentes publicitários, órgãos de comunicação, sindicatos, igrejas e associações, etc, nós queremos uma economia de alta qualidade. Dos três “S”: sadia-sustentável-solidária. Voltamos a escrever: crescimento não é só quantidade; e desenvolvimento não é só qualidade. Para baixa qualidade é preciso não ficar “parado” na mentalidade do “bamburrar”.

 

 

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 27-05-2009.

5517 caracteres (com espaços incluídos).

Tempo: 2H30.

 

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