cemitério virtual – parte 2

 

 

 

cemitério virtual – parte 2

 

 

[1.] Restos de mim mesmo. Fazer a autópsia espiritual e não mergulhar na tentação do desespero. Nestes dias sombrios nada de consolações externas. Não as suporto. Da parte das comunicações: os contatos de e-mails foram reduzidos ao essencial. A lista pessoal e institucional, de 90 baixou para 65. Mesmo assim ainda é muita escrituração. Parte significativa já saiu de circulação. Depois voltam ao ativo, é sempre assim. O meu ressentimento é descartável. Hoje, também, foi o dia da 4ª visita penitenciária, nada a escriturar porque quero chegar à 40ª visita, e só então, exprimir o fundo da alma e do estomago. É simples: acrescentar um zero à direita, como validação existencial. Bem simples e caro. Vamos sobrevivendo. 716

 

 

[2.] Assim, sim. É no fracasso que está o segredo da Coragem. Tudo difuso e permeado de incertezas mistas. Leituras sóbrias: – livro de biografia coletiva e histórica; – livro clássico de enfretamento moral de casos pastorais; – livro testamento biográfico de posicionamento científico; – livro de ensaios polêmicos e honestos; – livro sobre o elogio da mãe em psicanálise; tudo muito diferente, como eu intensamente procuro. Muito pensar como o fumo proibido de um cigarro gasto na contra mão. Não preciso contar a ninguém. Estou impossibilitado de partilhar. Não é mal a Solidão, está assumida. A frieza e imunidade são trabalhadas com afinco. 641

 

 

[3.] As conversas resultam bem. A novidade está circunscrita num único interlocutor. Completamos oito dias de convivência debaixo do mesmo teto. Ainda não me defino, racionalmente, sobre a sua maneira de rir e sorrir, mas digamos que é “adesiva”, isto é, atrai por empatia, de forma natural e pouco reservada. Bons indícios. Por isso o meu fechamento deve ser abolido, para que possa entrar em sintonias plurais, constantes. Devo dar generosamente. Já o fiz em tudo que é delicadeza e acolhimento, mínimos. Demonstro interesse e faço-me presente. Sei ser prestável, contudo rapidamente ausento-me. Não sou guia de ninguém. Apenas mostro, não uso de deliberativos. 659

 

 

[4.] Estou na sombra. Refugio-me no “pombal”. Lá demarquei os meus territórios, no tempo, espaço e modos. Nada de extravagâncias e excentricidades. Apenas anormalidades sem necessidade de análise. As tempestades e os desertos estão próximos, sinto-os demasiado chegados. Não serão absolutos e mortais. Tudo em pastoral é teologia fundamental. Por essa razão não há Medo. Apenas aprendizados. Neste cemitério, tudo é virtual, tudo será jogado com “fair play”. Não tolero. Não quero prescrições. Memorizo de forma irregular, uma vez amargura, outra vez ternura, mais na frente, puro aleitamento. Excelente planalto. Excelente sono (dormir são as férias do pobre…). No mais só denoto um comodismo de combate. Nem vitória, nem humilhação. Os sinais de Deus, que não são de morte, proliferam excessivamente. Dificuldade em escolher as respostas válidas. A verdade do axioma: “Os que sabem não falam, e os que falam não sabem”. Meu coração é um cemitério virtual. Parte 2, porque eu próprio sou o número dois. Evito marcar “golos contra”. 1029

 

 

 

AUTOR: Pedro José, Chapadinha, 24-04-2009;

3080 caracteres (com espaços incluídos).

 

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