O que sou: sentenças abertas

 

O que sou: sentenças abertas.

 

A Humildade e o Orgulho estão para nós como os cromossomos, feminino e masculino, e em nós convivem unidos e diferenciados, até à Morte. Vaidade, tudo é vaidade! Tempo, tudo é tempo! Amizade, tudo é amizade!

 

Dentro de mim existe o que devia estar superado. Mas não está e por isso estará ainda sem data de despejo. Não tenho status definido. As penitências não funcionam de forma abrupta. São lentas e regridem: quando não estão desejadas, fixas e assumidas.

 

     Amar no silêncio e na sombra: dar sem receber. Esse é o meu Lava-Pés, a minha Eucaristia da hora-que-não-vem. Sei os números premiados da lotaria e não jogo. Quero a Fé dos que perdem a Vida para ganhar o Corpo.

 

     Nós somos aquilo que fazemos quando o pensamos na Verdade e na Vontade de Deus. Só um Deus nos pode salvar da incoerência entre Ser e Agir. Sou um aforismo ateu, eterno catecúmeno com absolvição. Abbá! Abbá! Abbá!

 

O compromisso humano nunca se repete de forma igual. Claro que se repete, se for autentico, pois somos animais de hábitos e vícios. Que haja coragem e discernimento para desenvolver os primeiros e controlar os últimos.

 

Faço de mim mesmo uma parábola, uma história com final feliz. Apenas casamento sem prole. Tudo atravessado de ilusão e mentira. A Conversão não caminha na minha direção; sou eu que com ambição e obrigação me esforço. Sou um esforçado. Estou cansado (ainda bem!). Cansaço é dom divino. A fruição também o é! Não quero escrúpulos…

 

Benditas mudanças, sem elas a vida estagna e parar é morrer. Mudo sem mudar. Quero Autonomia no Mestre. As estruturas são boas senão asfixiarem o meu horário biológico. Estou para mudar muito e perco a beleza não a justiça. Que é a justiça sem a beleza?

 

Não sei para aonde vou; sei quem faz parte do meu presente de forma assumida ou rejeitada. É pouco o que sei, porém o bastante para poder confiar no futuro. Acontece-me a Felicidade dos pequenos suspiros e dos imprevistos gestos. Olho bem dentro das Almas e procuro não fugir do que sinto. Quero as peles e tenho os olhos.

 

Antes o fosse mais Eu, sem Medo, e seria mais Feliz, porque Santo!

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 30-03-2009.

2067 caracteres (com espaços incluídos). 

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