O que é e como se fez o Carnaval? – Por Evaristo Eduardo de Miranda –

 

 

 

O que é e como se fez o Carnaval?

 

 – 5 Perguntas e respostas

por Evaristo Eduardo de Miranda (*)

 

1. Qual a origem do Carnaval?

2. O que marca a data e a duração do Carnaval?

3. A Igreja marca o tempo do Carnaval?

4. Qual o significado da palavra Carnaval?

5. A procissão católica inspirou o desfile de Carnaval?

 

1. Qual a origem do carnaval?

Passado o Tempo do Natal, o Carnaval é uma das primeiras datas marcadas pelo calendário religioso católico. Na Europa, o Carnaval era um período de festas profanas, invernais, regidas pelo ano lunar. Elas eram caracterizadas pela liberdade de expressão, pelas fantasias e máscaras, pela subversão temporária de papéis sociais e até naturais, e pelo movimento das pessoas. O Carnaval tem suas origens na Antigüidade pré-cristã e foi incorporado, delimitado e datado pelo calendário do cristianismo.

 

2. O que marca a data e a duração do Carnaval?

No passado, várias regiões da Europa, o período do carnaval tinha duração variável. Nem a data, nem a duração eram marcadas. O “tempo” do Carnaval podia começar no Dia de Reis (Epifania) e acabar na Quarta-feira de Cinzas, às vésperas da Quaresma. Ainda é assim em localidades européias, onde após a Festa da Epifania começam as apresentações de bandas de flautas e tamborins, como na Itália. Em pleno tempo do rigor do inverno, nas festividades do Carnaval manifestava-se um sobressalto de vida. Era tempo de fazer grandes refeições. Essa manifestação destacava a sobrevivência face aos rigores do frio, aos riscos da morte por enfermidades ou por violência. No Carnaval, as pessoas expressam a certeza, pela duração cada vez mais longa dos dias no final de janeiro e em fevereiro, da chegada de tempos melhores (primavera) e que sobreviveriam ao inverno. Quanto ao inferno…

 

 

3. A Igreja marca o tempo do Carnaval?

Sim. Em 1091, o cálculo da data do início da Quaresma foi definitivamente estabelecido pela Igreja Católica. Como conseqüência indireta, o período de Carnaval também estabeleceu-se na sociedade ocidental: inicia-se no final de semana que antecede a Quarta-feira de Cinzas e termina na terça-feira, conhecida em francês como mardi-gras, a terça-feira gorda.

 

 

4. Qual o significado da palavra Carnaval?

Para alguns, o nome da expressão latina carne vale! (adeus, carne!), anunciaria a entrada na abstinência quaresmal. Em Roma havia uma festa, a Saturnália, na qual um carro no formato de navio abria caminho em meio à multidão, que usava máscaras e promovia as mais diversas brincadeiras. A origem da palavra carnaval seria carrum navalis (carro naval), uma interpretação contestada. Atualmente, a etimologia mais aceite liga a palavra carnaval à expressão carne levare, ou seja, afastar a carne, do latim levare, “tirar, sustar, afastar”. A manifestação de sobrevivência ao inverno através de comilanças pantagruélicas era um último momento de consumo de carne e festejos profanos antes do período de abstinência e conversão da Quaresma, na versão católica da etimologia da palavra.

 

 

5. A procissão católica inspirou o desfile de Carnaval?

Sim, e muito. As procissões são marchas solenes de caráter religioso, organizadas pela Igreja Católica, geralmente pelas ruas de uma cidade. Os padres e outros clérigos saem paramentados, carregando imagens, crucifixos, à frente dos andores, estandartes, pálios ricamente decorados, velas, lanternas, archotes, cruzes alçadas, lampadários, bastões, etc. Eles são levados por fiéis, também paramentados, das diversas irmandades e confrarias, religiosos e religiosas, e pelos leigos, em geral, formados em duas ou mais alas. Nas procissões rezam-se e entoam-se cantos, hinos e motetos, acompanhados por fanfarras, bandas, música de instrumentistas, corais e cantores. Além do som de sinos ou matracas, e até de rojões, dependendo do caráter da procissão. Nas procissões há cumprimento de promessas e alguns andam a pé descalço, carregam pedras, andam um trecho de joelhos, etc. As passeatas e manifestações de rua, de operários, estudantes, grevistas, etc. adotaram a liturgia católica das procissões e também saem com seus símbolos, estandartes, cantos e palavras de ordem. Ou desordem. Os blocos, maracatus, cordões e vários grupos carnavalescos construíram suas coreografias, apresentações e forma de desfiles sobre o modelo das procissões. Há até estudos antropológicos sobre essa contribuição da sagrada procissão ao profano desfile do Carnaval. Do católico ao caótico.

 

 

(*) FONTE: MIRANDA, Evaristo Eduardo de, Guia de curiosidades católicas: Causos, costumes, festanças e símbolos escondidos no seu calendário, Ed. Vozes, Petrópolis, 2007, pp. 73-76. ESCRIBA: Pedro José, Chapadinha, 19-02-2009.

Caracteres (espaço incluídos): 4093.

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