Outrossim, dois é um.

 

 

 

Outrossim, dois é um.

 

 

Conheci um “homem sem agenda” (sou o mentor-delfim). Esse conhecimento mudou a minha vida. Vida que se contorce com o advento enraizado do “homem com qualidades” (plágio ao contrário de Robert Musil: “homem sem qualidades”). O “homem sem agenda” (H.S.A.) que eu conheço, não se relaciona com o “homem com qualidades” (H.C.Q.). Poderia haver diálogo de surdos, nem isso é possível. O HCQ também é, vulgarmente, designado, com alguma impropriedade, “homem-light”. O HSA é confundido com o “homem sem relógio”.

 

 

O HSA pertence inteiramente a Deus. O HCQ pertence, na melhor das hipóteses, inteiramente, a si mesmo. Será justamente a escolha entre a esperança e o desespero. Atenção que há esperança falsa e desespero verdadeiro. E ambos podem conduzir-nos à (auto)realização. Eis nos diante da nossa radical liberdade e todas as suas amáveis alternativas, indignas e fecundas, a que possamos aceder do lugar onde nos cabe existir. Existência rima com insistência.

 

 

O HSA comunica a sua própria experiência de Deus. É uma sentinela (gênero feminino, há mais mulheres aqui… elas fazem sexo, se se sentirem bem!). O HCQ tem por costume limitar-se a repetir, convencionalmente, o que chamamos de sagrado/divino/desconhecido, ou a ausência (não o vazio) desses referenciais. O HCQ é um simulacro (gênero masculino, há mais homens aqui… eles para se sentirem bem, fazem sexo!). O HCQ vive na Rua: transita. Está em permanente trânsito. O HSA vive perseguindo o Caminho: caminha. Está em peregrinação. É um profeta itinerante, sem viático.

 

 

As duas realidades, entre HSA e HCQ, são indivisas. O HCQ usa e depende do “Celular-GPS”, sem ele fica desorientado. O HSA orienta-se pelas estrelas. O lema do HSA é: “Não faça de sua vida um rascunho, pois pode não ter tempo de a passar a limpo”. O lema do HCQ é: “O único lugar em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”. Ao HSA “estremecem-lhes as entranhas”. É coração. Ao HCQ “os nervos ficam estressados”. É cerebral. O HSA é visual, prefere a leitura. O HCQ é auditivo, gosta de música. Serão inconciliáveis? A nossa realidade é audio-visual. São primos direitos, da parte da mãe, que é sempre, a descendência credível.

 

 

Como sempre as aparências são distanciamentos em relação à Verdade; contudo a Verdade está longe de ser uma aproximação. A Verdade é um desvelamento. Outrossim, dois é um. Aqui deixo esta paródia que sabe a parábola. Ou o contrário do silêncio que nos fala.

 

 

AUTOR: Pedro José, Chapadinha, 22-01-2009.

2445 caracteres (com espaços incluídos).

 

 

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