Vocação (uma explicação para complicar?)

 

 

Vocação

(uma explicação para complicar?)

 

 

[Comentário: II Dom tempo Comum Ano – B: 18-01-2009]

 

 

1. Perdido e encontrado no Evangelho de João 1,35-42 (Testemunho de João). Os dois discípulos seguiram Jesus. Jesus perguntou: «O que é que vocês estão procurando?» Eles disseram: «Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?» Jesus respondeu: «Venham, e vocês verão.» Então eles foram e viram onde Jesus morava. E começaram a viver com ele naquele mesmo dia. Eram mais ou menos quatro horas da tarde.

 

2. Quem eu sigo e quem eu persigo, através do meu conseguir sozinho? “Diz-me com quem andas?” “Ou Maria vai com as outras?” Na amargura e na brandura da vocação presente procuro matizar as minhas opiniões e decisões com expressões como: “provavelmente”, “talvez”, “concerteza”, “tudo leva a pensar que…”, “não é fácil fazer”. Recebi “Uma mensagem” de vou parar por aqui… estou-em-estado-de-choque! Nada surpreso, eu estou é preso! A todos muito obrigado; mas descobri a minha vocação de outra forma. Ora muito bem, também, O creio. Há uma vocação (a minha) aos 15 anos, aos 20 e 22, aos 28 e hoje aos 36 anos? Aos cinqüenta voltaria a fazer a mesma opção? Sinceramente: NÃO O SEI! Quimera, ideologia, ficção, ou mentira. Toda a vocação é um Mistério. A Vida é um Mistério. Não há receitas, há caminhos. Eu estou ao serviço da minha realização ou não? Estou a serviço de QUEM? Não será “isto” que nos fala o Evangelho de hoje? Onde moras? Com quem moras? O que fazes? Com quem o fazes? Quanto à questão ontológica, menos que a antropológica, menos ainda, que a psicanalítica; estamos todos, progressivamente, desentendidos e perdidos.

 

3. Que “estilo” e “modo”, Jesus, o Rabi, nos propõe. Só quero pensar nisto. Nada mais. Deixar as minhas atitudes rotineiras e artificiais; libertar-me de (auto) enganos, medos e egoísmos que paralisam o meu sentir, que paralisam o meu corpo. Inserir em mim um estilo e um modo que preserve coisas tão importantes como: a alegria de viver (onde estão minhas anedotas e histórias curtas e exemplares); a compaixão pelos últimos da sociedade (porque não faço progressos rápidos diante de quem não fala bem, veste bem, cheira bem…); ou porque não trabalho incessantemente por um mundo mais justo ( a incumbência de trabalhos inúteis e burocráticos, onde a criatividade não é requerida…).

 

4. Ainda bem que não estou só e sozinho. Só estou sozinho. Estou só e não sozinho?

Jesus ensina a viver com simplicidade e dignidade, com orientação e com esperança. Ele dá-se eu encho-me. Tudo em falta. Um dia chego lá…

Jesus convida a fazer a experiência de um Deus Pai mais humano e maior que todas as nossas teorias: um Deus Salvador e Amigo. Salvador porque amigo e Amigo porque salvador (- Agora estou mesmo “lixado” com esta inversão!?). Tudo em falta. Um dia chego lá…

Onde moras? Em minha casa, no meu quarto, nos meus livros, nas minhas conversas; nas minhas fugas; nas minhas roupas; nos meus dias e horas; nas minhas músicas; nos meus dízimos (são vários…); nas minhas orgias (são únicas…); nos meus olhos e olhares; nos meus pensamentos e nos meus atos falhos; nas minhas fantasias e desejos; nas minhas peneiras e nos meus sacrifícios. MEUS & MINHAS. Como sou fraqueza e malícia. Tudo isto me farta pelas presenças em falta. Um dia espero chegar lá… Vou abrir a Porta Já (como quem diz mais tarde…).

 

Autor: Pedro José, Chapadinha, 18-01-2009.

Caracteres (espaço incluídos): 3245

 

 

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