Conselhos aos Novos Administradores

 

 

Conselhos aos Novos Administradores (*)

 

1O conselho é como o café: só o aceita quem quer, mas mais vale trabalhar um bom conselho, do que suportar depois uma pesada crítica. A função que receberam não os tornou senhores do poder. A Constituição do país afirma que o poder é do povo. E o povo apenas lhes concedeu uma delegação. Serão considerados úteis ou inúteis conforme o que fizerem desta delegação.

 

 

2Trabalhem com afinco e inteligência, mas privilegiem o diálogo, não se julgando os únicos competentes. O povo também tem olhos e sabe analisar o que vai acontecendo. Dificilmente farão passar nos meios de comunicação social o que ele não enxerga na realidade. Atividade que precisa de muita propaganda, ordinariamente, não é a mais eficiente.

 

 

3Chapadinha tem uma enorme percentagem da sua população marginalizada, precisa, por isso, do esforço de todos. A política assistencialista e a distribuição ocasional de bens, mesmo vindos por programas federais, não resolve. Apenas, às vezes, pode ajudar. É preciso promover políticas públicas que promovam as capacidades e a dignidade pessoais e que favoreçam a iniciativa privada. Urgente criar capacidade de rendimento. Combater a pobreza é construir a paz. Vocês são os responsáveis pelo desenvolvimento de Chapadinha nos próximos quatro anos. Não queiram ficar na história como causa de decepção e exemplo de corrupção.

 

 

4Governar é também suscitar no povo o desejo de participar na sua promoção. Onde o Governo é participativo, onde todos ajudam, o resultado do trabalho tem capacidade de agradar mais e ser mais completo. A teimosa concentração do poder numa pessoa é a prova mais evidente da sua incompetência e das más intenções que a norteiam.

 

 

5 – A vocês foi dado o encargo de administrar o dinheiro e os bens públicos. Administrar não é arrecadar para si, não é esbanjar, não é preocupar-se só com os amigos. Está provado que os melhores contabilistas não conseguiram, nem conseguirão esconder tudo que de arbitrário se faz. Sempre vem a público muita coisa. A publicação das contas deve-se fazer e ser transparente. A melhor prestação de contas não é a do papel, mas aquela que o povo elogia por um trabalho eficiente.

 

 

6A política é o melhor exercício da caridade. A vocês foi confiada a administração municipal para o bem comum. Chapadinha é o centro urbano e um extenso interior que não pode ser esquecido e que se alimenta mal, não tem formação sanitária nem eficiente assistência médica, vivendo, vergonhosamente, ainda hoje, de uma agricultura de subsistência. É preciso analisar melhor o atual contexto das populações, depois da Reforma Agrária: cuidar do meio ambiente, prender o homem à terra, continuar a levar a educação para o interior, motivar a criatividade, potencializar os meios de produção e cuidar dos meios de comunicação, também pela necessidade do escoamento das produções.

 

 

7Os exemplos arrastam, diz o povo. Vocês são, pessoas públicas, olhadas como exemplo. Vejam que exemplo estão transmitindo! Nossa população é carente. O latifúndio criou hábitos de muita dependência, o que levou muitos a pensar que a autoridade pública é para distribuir esmolas e fazer favores. Urgente criar a cultura da legalidade. Que nunca as conveniências de uma política individual se sobreponham às exigências de um trabalho técnico ou de conjunto bem organizado e já em funcionamento. Necessário, ao máximo, o bom exemplo familiar e o comportamento moral das autoridades. Deixem rastro de maturidade pessoal e de promoção de políticas públicas. Não se satisfaçam apenas com um populismo alienador e fácil, alimentado na arbitrariedade pessoal ou na ilegalidade de influências ilegítimas.

 

 

8 – O povo é soberano. Muitos se deixam alienar por algum tempo. Mas é difícil enganar todo o povo por muito tempo. Vocês, quando assumiram, começaram a ser julgados. Façam com que o vosso nome fique ligado a grandes iniciativas. Não se descuidem. A política não se faz só durante as campanhas eleitorais. O povo já começou a observar vocês para os prestigiar ou condenar nas próximas eleições.

 

 

9 – Respeitem a oposição que não deve existir só na campanha. Pode sugerir coisas oportunas. Que se afirme mais pela colaboração que pela arrogância ou confronto na força física. Qualquer jumento tem mais força que um homem.

 

 

10 – Não vivam ao "Deus dará". Sejam praticantes de uma religião. A fé em Deus é a melhor assessoria de sua nova função pública. Se são cristãos, não arquivem sua fé só para assistir a celebrações em dias comemorativos. Promovam valores morais, dêem exemplo de fé ativa e comunitária. Diante de Deus, comprometam-se em fazer todo o possível pelo bem comum do Município de Chapadinha.

 

 

(*) FONTE: in Vida Nova – Boletim Formativo e Informativo das Paróquias de Chapadinha e Mata Roma // DIRETOR – Manuel Neves // DIRETOR-Adjunto – Pedro José; N°03 – 11/01/2009, pp. 2 e 3.

 

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