pensamentos ao telefone

 
 

pensamentos ao telefone

 

 

 

Situar-se numa perspectiva teológica contextual. Minha teologia não precisava de ser pobre, fria e sanguínea. Às vezes sem conta é como numa sexta-feira-de-cinzas-qualquer. Fiz um telefonema amigo e eis de repente a Ressurreição. Consinto-me apenas a mim mesmo, isto é, à minha circunstância e ao que faço com ela. Egoísmo refinado mas carente e solidário. Afinal encontro respostas para as minhas perguntas. Cada vez mais, a vida se torna milagre e perplexidade. Só existem respostas provisórias e incompletas. As perguntas continuam sempre abertas. Não podemos trocar funções e histórias. Podemos sim partilhar contextos. Isso o faremos e aí estará a nossa salvação muda e feliz.

 

Um exemplo talvez insurreto. Vivido ou a viver. Bata-se numa criança por causa de um comportamento mau para que ela se torne uma criança boa. É uma pedagogia destrutiva para repor um ordenamento ambíguo mas necessário. Um remédio contraditório: um mal deve ser destruído por outro mal para se tornar um bem. Não é a lei de talião, mas alguma coisa parecida com ela, vivida como experiência concreta de vida? Isso o faremos mas será a demonstração do pouco que evoluímos de forma lenta e regressiva.

 

Derivo e avanço. O pluralismo das hipóteses tem a vantagem de ajudar-nos a pensar a realidade que sempre ultrapassa as interpretações dadas por um só contexto. Agimos dentro duma circularidade relacional e tradicional. Não é relativismo. É procedimento situacional-existencial. Agir inter-comunicativo mesmo quando não há resposta. Isso já é uma resposta ou mesmo a negação (in)consciente do direito de que alguém possa se sentir interpelado a responder. Não haver respostas às múltiplas hipóteses fazem-me cicatrizes espirituais.

 

Um mundo cão. O “valer” é mais um lugar de crucificação para as mulheres. Não se trata apenas do valor atribuído às mulheres em relação aos homens, mas também em relação às mulheres entre si. Nos homens, entre si, instala-se uma luta fratricida sobre o “poder”. Valer e poder. Penso e o pensamento foge. À beira do abismo ele para. Quando não é igual a uma ligação telefônica a cobrar. Fico a contemplar sereno, lúcido e completamente perdido. Como é que um “bem” para alguns pode ser considerado e vivido como um “mal” para outros? Como se explica a ambivalência do bem e do mal na existência? Qual a saída ética? Quando se está petrificado neste contexto, a esperança é sair daqui na hora santa.

 

Estando incólume. Sendo parcial. Agindo na incompreensibilidade. Nenhuma interpretação (no caso resposta) consegue esgotar as vivências. Sabemos que sempre é possível acrescentar mais uma resposta. Isso o faremos e algo novo surgirá em nossas vidas.

 

 

AUTOR: Pedro José, Chapadinha, 05-01-09;

2655 caracteres (com espaços incluídos).

 

 

 

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