pauladas de fim d’ano

 

 

pauladas de fim d’ano

 

 

 

[1.]  “E acima de tudo, o amor, que é o laço da perfeição” (Cl 3,14)

Determinadas frases de Paulo literato são verdadeiras “pauladas”. Nesta perturbadora e instigante sentença, sem recurso, fui salvo pela tradução de Luis Alonso Schökel. Não é a primeira vez, não será a última. “Acima de tudo” como me dói este “acima de” qualquer-coisa-que-te-custe. O amor, – o AMOR -, aí no mesmo Paulo, temos de ler/ver/agir o hino ao Amor de 1Cor 13. E não ficará pedra sobre pedra, afeto sobre afeto, ação sobre ação. Tudo é depurado. “Laço” notável visão-conceito. Não é “Nó”; não é o clássico “vinculo”; não é o terrível “destino”; não é “condicionamento”; não é “a referência ou a raiz”, em contra-mão pós-moderna. E na “perfeição” a Dor volta de novo. Na perfeição paulina que é (sempre) Cristificada nada posso temer (cfr.Gl 2,20).

 

 

 

[2.]  “E acima de tudo, o amor, que é o laço da perfeição” (Cl 3,14)

A banalidade, a mediocridade, o “deixa rolar…” me impedem de chegar ACIMA. Stou pesado !? Não leio, não rezo, não procuro compreender, desisto de partilhar… Acima de tudo o meu nariz!? Penso que todos são adultos amadurecidos e emancipados, e nada há a corrigir. Acima é superação de inferioridade e superioridade. Ambas. Tudo e Todo. Acima de tudo não sou capaz de parar. Viver até morrer.

 

 

 

[3.]  “E acima de tudo, o amor, que é o laço da perfeição” (Cl 3,14)

As palavras iniciais de André Comte-Sponville sobre o AMOR, na obra “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes”, são de impacto interior irrecuperável: “O sexo e o cérebro não são músculos, nem podem ser. Disso decorrem várias conseqüências importantes, das quais esta não é a menor: não amamos o que queremos, mas o que desejamos, mas o que amamos e que não escolhemos. Como poderíamos escolher nossos desejos ou nossos amores, se só podemos escolher – ainda que entre vários desejos diferentes, entre vários amores diferentes – em função deles? O amor não se comanda e não poderia, em conseqüência, ser um dever”. (Fonte de consulta: http://br.geocities.com/mcrost04/pequeno_tratado_das_grandes_virtudes_19.htm, acesso: 31-12-08) Mas por que é que não leio de verdade, para viver de verdade, isto é, amar com verdade? Esta leitura muda a sua vida inteira, sem aviso prévio …Cuidado!

 

 

 

 

[4.]  “E acima de tudo, o amor, que é o laço da perfeição” (Cl 3,14)

Sobre o “laço” já deixei, na introdução, enunciado o que era substancial. Acrescente-se aqui, que é o segredo libertador do Amor, também Paulino. Que-paulada-meu-Deus-bom! Ninguém quer “laços” todos querem “nós”. Na morte, aos 81 anos, de Alçada Baptista, seria de bom tempero “recomendar” precisamente (precisão poética entenda-se…) a obra “Os Nós e os Laços”. O Alçada lá no céu merece esta partilha.

 

 

 

 

[5.]  “E acima de tudo, o amor, que é o laço da perfeição” (Cl 3,14)

A perfeição. Eu criatura sou o cúmulo da perfeição imperfeita. Foi só ontem. Descobri, sem desespero, que, também, vezes sem conta, sou um apedeuta. Não há igual. Não há melhor. Podemos evoluir. Podemos e devemos mudar até morrer. A minha perfeição não é receita. É caminho, no sentido de encaminhamento. Estou demasiadamente só neste caminho. A falta de um(a) companheiro(a). Há parcerias santificadoras. O que faço do meu-tempo-modo? Urge repartir o mesmo Pão, o mesmo Suor, o mesmo Sangue, a mesma Ignorância do Medo, isso é o toque de Perfeição que anseio. A mortificação da perfeição. A preferência da Ressurreição. Onde-estás-perfeição-que-não-te-vejo-bem?

 

 

 

 

[6.]  “E acima de tudo, o amor, que é o laço da perfeição” (Cl 3,14)

Só esta frase sem mais “pauladas”. Que cura e descura. Que compromisso. Que demissão. “E abaixo de tudo, o egoísmo, que é o nó da imperfeição”. É a minha anti-escritura! É o que vivo, sem querer escrever, na condenação ordinária, quando esqueço a Força da Palavra. A mística silente (nunca me decido a mal… é o caso), nesta hora da meia noite? Uma escuridão de Luz. A minha insônia é Libertadora. Bom Ano de Graças a alcançar a todos(as).

 

Pedro José, Chapadinha, 31-12-08;

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