Impressões e distâncias

 

 

 

Impressões e distâncias

 

 

É a hora da Auto-Crítica. São nos permitidas apenas duas pessoas: Eu e Nós. EU = Especial + Único. NÓS = Naturezas + Opostas = Salvas. O singular assumido, o plural consentido. Se sou capaz da auto-crítica verdadeira, aquela que se alimenta do alimento integral e não do refinado. Aquela que me vai possibilitar: “recordar quem sou eu!”. Eu e Nós. Ambos reconciliados.

 

É a hora do confronto com a Morte. Sou frágil e sei-me incapaz de já ter sofrido com uma morte verdadeira. Ainda ninguém a quem eu nutria de Amor, de verdade, me morreu. Débito positivo. As pessoas não morrem, as pessoas morrem-nos. Já me morreu quem eu apreciava muito. Mas isso é diferente de viver a morte de um ser amado. Ainda não sou gente. Um dia serei o privilegiado que acabou de ser contemplado. Não há aviso prévio.

 

É a hora do Trabalho Interior. O preço da Felicidade é baixo, mas difícil de negociar. Pois todos querem o lucro para-si-mesmos. Isso não é possível. Trabalhar as palavras e as pessoas. Lidar com a Terapia enquanto processo inconcluso. Sou um iniciante a ser iniciado. Faltam ajudas. Acabar só na Ressurreição. Não posso adotar posturas livrescas, sei do perigo. É a vida que escreve os livros, embora com grandeza distinta, os livros possam vir a escrever as vidas. Ser-feito ou vir-a-ser. Sou os dois. Amo os dois e nos dois movimentos sou temperado.

 

É a hora da magnólia e do tijolo. É a hora final do relógio. Sou um nulo ou dou um pulo? Dou um pulo diante do nulo. Sou um Corpo que vira esgoto. É feio e é só meu esse defeito reles. A Graça da boa fé. A desgraça da má fé. É minha a hora de servir, sabendo que sou impotente diante daquilo que não integro. Não sou mais exigente. Aliás nunca o fui. Não considero a preguiça pecado capital. Sou preguiçoso. Inerte, neutro e impassível.

 

É a hora da Verdade. Como não sou honesto comigo. Eu sou nós. E não eu mais eu, e ainda só eu. Eu sou uma multidão de nós. Nós que possibilitam o eu. Não contorno a idiossincrasia, é natural. Mudo ou mudo-me. Impossibilito-me de não ser individualista, sem evitar os seqüestros (in)voluntários. Logo a via da singularidade é a melhor de todas as alternativas.

 

É a hora, simplesmente, a Hora de Ser. Tenho a impressão que estou a ficar distante de mim. Nessa distância também há algo de exílio. Há algo de nômade. Abraão e Ulisses. Pedro e José. Celibato e Desejo. Igreja e Realização. É a hora e ainda não é tarde demais. É a hora de não consentir o cansaço. Nostalgia doença que dura. É uma hora sem minutos a minha. Interminável. É a hora da Auto-Crítica! Em boa hora!

 

 

AUTOR: Pedro José, Chapadinha, 10-11-08;

2551 caracteres (com espaços incluídos). Tempo 57m48s.

 

 

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