Charadas de Satisfação

 
 

 

 

Charadas de Satisfação

 

 

O dia chega ao fim. O cansaço não tem fim em mim. Em mim, nesta hora, começa a programação do “amanhã”: 1ª quinta-feira, confissões individuais auriculares e celebração penitencial comunitária, com absolvição geral. Leituras e encaminhamentos: meu passatempo preferido. Ler vidas e ajudar em possíveis escolhas. Nada mais, nada menos. Nada simples. Penso que só posso escrever a Vida com rotina, prazer e sacrifício.

 

A Rotina tem um peso enorme. Mas penso na rotina de que não damos conta. São as nossas necessidades, nas quais só pensamos quando entramos na crise econômica ou afetiva. As duas crises que mais tememos e das quais temos a solução apenas em nós. Rotina como anti-paradigma do transtorno bipolar (O deus Google nos guiará nas sendas bem desconhecidas…). Gosto de rotina. Aprendi a viver sem ela de forma tolerável. Somos seres de segurança, vestidos de Desejo.

 

O Prazer é essa energia mágica. Transforma o feio num apetecível sex-appeal (O deus Google nos guiará nas sendas bem desconhecidas…). Adoramos a mudança. Se fosse possível Deus mudava e/ou mudaria a cada dia. Por isso uma eleição é uma espécie de “orgasmo-colectivo-consentido-para-o-bem-de-todos”. Ou então o que atrás foi firmado tem a diferença na troca de “bem” por “felicidade”. Ao nível do prazer trocar “bem” por “felicidade” é desastroso. O novo presidente Obama é o nosso prazer do dia-sem-fim.

 

Sacrifício é o trabalho feito em cada dia com o prazer da rotina. Eu sei que esta tirada é muito ousada para certas mentes. Como eu próprio. Que pensei nisto durante anos a fio… e só agora fruto de um insight (O deus Google nos guiará nas sendas bem desconhecidas…) o fiz público. Mas isso é pão sem sal. Trabalho “feito”, entenda-se a aliança do querer e do fazer. Há uma diferença quase ontológica. Em “cada dia”, não nos pensamos fora de um lugar (praia…) e duma primavera (idade…) na qual a nossa situação não possa ser libertadora. O “prazer da rotina”, não a rotina do prazer (que é indomável…) só assim o pão terá o sal certo. Quem não quiser assim, não reclame do fabricante! Seja honesto, por favor!

 

Afinal, o dia nunca chega ao fim. A energia em mim não tem fim. Em mim, nesta hora, começa a desprogramação do “amanhã”: pecados e graça. Resultados só no fim do jogo. Pois no Evangelho quem ganha perde, e quem perde ganha. Encaminhamentos e leituras: meu tormento preferido. Esquecer as escolhas e ajudar todas as vidas possíveis. Nada de menos e nada de mais. Nada complexo. Penso que só posso escrever a Morte com novidade, dor e misericórdia.

 

 

AUTOR: Pedro José, Chapadinha, 06-11-08;

2545 caracteres (com espaços incluídos).

 

 

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