Precisamos de Santos(as) de Jeans: apontamentos sobre santidade.

 

 

 

Precisamos de Santos(as) de Jeans: apontamentos sobre santidade.

 

 

 

1. Escrever e pensar na santidade é coisa maravilhosa. É sublime. Para muitos não o será. Pois a santidade está associada a pó…, cera e velas…, sacrifícios impossíveis e até desumanos (?!). Sobretudo, quando a santidade significa abdicar do Prazer e dos prazeres menores. Pois, ser santo e santa, em gênero e espécie, não significará nada disso, como impedimento e renúncia, mas sim superação e integridade. Lá chegaremos devagar.

 

 

2. Sempre procuro pensar a santidade na minha vida como princípio vital. Somos santos à priori e só depois viria a experiência e o conhecimento (podem ser o inverso na ordem…) do Pecado. Primeiro Santos e depois Pecadores. E não pecadores, para nos tornarmos santos. Há dois tipos essenciais. Há os(as) santos(as) convertidos(as). E há os(as) santos(as) que sempre-o-foram (não falamos agora da intuição do pecado-original, pois opino, que é mais forte a graça-original…). Princípio vital, do tipo: santidade é a insustentável leveza do ser. O ser santo(a) é ser leve. Leveza da Liberdade Radical. Contra o peso existencial. Contra uma cruz sem sentido. Contra os crucificados(as) sem a paixão dum fim à vista. Contra um corpo, sem espírito e um espírito sem corpo. O corporal é espiritual, o espiritual é carnal; não aos dualismos. Talvez nos conforme a dualidade indivisível. Ou simplesmente, santo(a) no corpo e no espírito. Só desse jeito e não doutro qualquer.

 

 

3. Poderia indicar, oportunamente, nomes da minha lista, Top 10 ou TOP 100, mas era expor em demasia o meu desejo de ser santo. Os santos(as) não falam de…, vivem com… e para… Não quero, por essa razão, sair da posse dos princípios. Posse que é Graça. A santidade é a imersão na Graça, sem ficar com o calcanhar de Aquiles exposto e frágil. Agradecido e agraciado. Santidade é erro e tentativa. Erro que se assume na humanidade, tentativa que nos conquista para a divindade. Ser santo(a) não tem haver com o Tempo (ser santo(a) sempre será fora do tempo…), mas com a História (ser santo(a) sempre será assumindo uma missão dentro da história…). Ser santo(a) não tem haver com a emoção, mas com o sentimento. Ser santo(a) tem haver com o Hoje, com a Amizade, e com a Fé, em nós mesmos, apesar da nossa miséria humana. Por exemplo insólito: é parar de carro no meio da noite, na planura da estrada deserta e ver um jovem, duas moças, sem julgar ninguém, perguntar se é necessária ajuda, buscar a 3 Km um litro de gasolina, regressar, trocar humores, ver arrancar a moto, num bizarro amor-a-três, sem ouvir um obrigado, ficar feliz no segredo interior de se saber que se faria, exatamente, a mesma coisa, sem hesitar e sem ser reconhecido por isso. Por exemplo comum: pagar todas as contas do amigo(a), “pagar inclusive o pato…”, sem ter dinheiro disponível na hora, mas pagar dando um jeito. Emprestar se necessário a alma; alugar o suor do corpo, apenas isso e isto, sem NUNCA faltar à Dignidade Própria e do Próximo. Por exemplo (extra)ordinário: ouvir os desabafos, os medos, e as violências alheias e sem estar compenetrado em si, dizer que se sofre por não poder sofrer igual. Não ser puritano em moralismos. Ter vícios e confessá-los, a quem tem o direito de saber. Saber por dever que rezo sempre com mais facilidade e profundidade a oração do publicano que o pai nosso dos irmãos.

 

 

4. Para quase terminar, tendo a certeza que pouco ainda foi pensado e menos vivido, no meu percurso de santidade pessoal, e, acima de tudo, comunitário. Ser santo(a) é gritar a surdos e mudos: ninguém se salva sozinho e só! Pois ser santo(a) é, também, essa Sede e Fome de Transcendente (ser-para-os-outros), como ponte terrena e celeste, as duas realidades inseparáveis, do mesmo Mundo. Com a Santidade passamos da cultura eclesiástica à cultura eclesial. “Essa nova cultura eclesial, iluminada pelo evangelho, no horizonte missionário do discipulado, precisa adquirir força para desmontar funcionamentos rançosos e obsoletos que vão atravancando os avanços e chafurdando os corações na desesperança. Uma nova cultura própria do discípulo missionário que não mede os processos simplesmente pelo sucesso próprio ou pela idealização de que a realidade, em todas as suas circunstâncias, seja uma mostra do paraíso” (Dom Walmor Azevedo, in Jornal Opinão, nº1012, p.3).

 

 

5. Junto com o título desta meditação-provocação, alguém poderia pensar na T-shirt (PHN = Por Hoje Não) e ou nas calças Jeans, tanto quanto no seu ícone, aquele cara rebelde chamado James Dean. Não é isso e vai além disso mesmo. Até que de qualquer T-shirt justa e de justa calça Jean, toda a “mulher simples” vira Anjo Redentor. Mas só aí a santidade permite despir a quente no olhar sensual, num preço baixíssimo. Para, novamente, vestir a frio no olhar de ternura, numa dignidade altíssima. Precisamos de santos(as) de Jeans & T-shirts, proclamou o jovem vocacionado, no seu discernimento. Quando Ele(a) voltar com os jeans “esfolados” de rezar de joelhos e a t-shirt, sem cor, terá encontrado o Ser Humano Feliz (isto é, Santo): Não aquele que teme errar o alvo, porque nunca se decidiu pelo tiro de vida e não da morte. Vive a Vida, e serás Santo(a)! Morre para Morte, e serás Feliz!

 

 

AUTOR: Pedro José, Chapadinha, 02-11-08; 5154 caracteres (com espaços incluídos).

 
 
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