Dois escorpiões à solta em Chapadinha – fábula trágica

 

 

 

 

Fábula trágica: 2 escorpiões à solta

em Chapadinha

– ou tive um pesadelo antes de dormir –

 

“As eleições são uma hipótese de felicidade”.

Pedro José

 

Deus criara a terra, o mar, o céu, os animais bons e os animais maus, para o homem. Por fim, criou os escorpiões, ignorando se iriam ser bons ou maus. Para o saber, decidiu pô-los em prova.

Então disse Deus aos dois escorpiões, um preto (do tipo XI em latim) e o outro amarelo (do tipo XXII em latim). – Preciso de riqueza para os homens, para eles construírem casas, hospitais (com remédios, médicos, ambulâncias… o básico), colégios (com quadras esportivas, merenda escolar… o básico), e tudo aquilo que me pedem para poderem viver e educar os filhos. Vou, portanto, confiar-vos uma missão (antes-durante-pós: eleição…): ides buscar pedras preciosas que haveis de encontrar nas chapadas mais densas. Estão enterradas muito fundo, mas as vossas tenazes hão-de ajudar-vos a encontrá-las.

– E Deus olhou-os nos olhos:

– Estas riquezas são muito úteis aos homens. Por esse trabalho, darei a cada um de vós três pedras preciosas (como que a dizer: 1, 2 ou 3 milhões de reais…). – E Deus franziu o sobrolho:

– É um trabalho longo e difícil, e certamente sereis tentados a ficar com as pedras para vós. Mas, se mentirdes, sereis castigados severamente.

Partiram então os dois escorpiões, depois de terem jurado que entregariam, para o bem comum, mesmo a mais pequenina pedra encontrada pelo caminho.

Recolher tesouros para dar ao Estado, para o bem de todos os humanos (entenda-se: cidadãos eleitores e não-eleitores…), não é o mesmo que juntar riqueza para si próprio. É preciso lutar contra o desejo de guardar tudo para si.

Os escorpiões partiram imediatamente, tendo de enfrentar o calor, o vento, a areia, enterrando o aguilhão bem fundo nas terras arenosas das chapadas. Mas quem procura com muita atenção, sempre encontra rubis, safiras, diamantes facetados (um modo de dizer: convênios estaduais, programas federais, milhões e milhões a conta gotas ou no atacado…).

Também se sabe que é durante as campanhas realizadas durante a noite, quando toda a gente está a dormir e nos sentimos sós, que temos possibilidade de encontrar os “votos mais preciosos”. É um trabalho intensivo, cansativo, e esgotante, sem uma gota de água, sem uma pausa… Mas, se não fosse cansativo, não se chamaria ‘tesouro’ (governar durante 4 anos um município), não é verdade?

O escorpião preto (do tipo XI em latim) buscou, buscou e não desistiu de buscar… Como ele era ativo e astuto, já tinha achado cem diamantes, seiscentas esmeraldas, trezentas safiras e um número sem-conta de rubis (achados virtuais em VOTOS… que logo, logo, seriam secretarias negociadas, postos de confiança, faturas frias e quentes, pouca coisa…). A meio do caminho, por causa da fadiga, assaltou-o um pensamento mau:

"Tanto trabalho! E para receber o quê? Um simples diamantezinho, um quarto de unha de rubi, uma esmeralda magra, uma safira de nada? Mas, se eu guardar as pedras melhores para mim, serei o animal mais rico e poderoso da Terra! E talvez Deus passe a olhar-nos, a nós, escorpiões (do tipo XI em latim), com tanto respeito como aos homens."

E com o aguilhão, enterrou profundamente na areia, num esconderijo ultra-secreto, as pedras preciosas mais belas.

Entretanto, o escorpião amarelo (do tipo XXII em latim) arrastava entre as patas o seu magro tesouro: três rubis, cinco diamantes, sete safiras, um pouco de ouro raspado de uma pedra. A colheita era escassa porque ele tinha passado muito tempo a queimar-se ao sol e, principalmente, a conversar com a raposa do deserto e com todos os habitantes do deserto que por lá encontrou, para enganar a solidão (o velho adágio: “omne animal post coitum triste”, tempo gasto em orgias sem fazer o dever de casa. Dá no que dá…).

Chegada a hora de prestar contas, Deus chamou à sua presença os dois escorpiões. O escorpião preto (do tipo XI em latim), só entregou seis pedras. Eram pequeninas, insignificantes e imperfeitas.

– Não encontrei mais nada, meu Senhor – mentiu o escorpião preto (do tipo XI em latim),. – O meu irmão amarelo (do tipo XXII em latim) andou depressa demais! Ele apanhou tudo antes de mim!

Ao dizer aquilo, os seus olhos ficaram vermelhos e flamejantes, como rubis, sinal de mentira e de hipocrisia.

Deus respondeu-lhe calmamente:

– Mentes! Guardaste todo o tesouro para ti! O que fizeste está mal. Primeiro, porque mentiste (enganos para eleitos e eleitores, sugiro a LEITURA do livro “Auto-engano”, do pensador brasileiro Eduardo Giannetti, é excelente!!!). Depois, e acima de tudo, porque roubaste (o futuro de gerações… hoje, na rua, vemos as crianças e os jovens sem futuro. A política é coisa séria…) a riqueza dos cidadãos. E por isso serás amaldiçoado! Quando vires um homem ou um animal, terás uma vontade irresistível de o picar com o teu aguilhão e, se o fizeres, matá-lo-ás.

Deus virou-se a seguir para o escorpião amarelo (do tipo XXII em latim):

– Quanto a ti, foste preguiçoso, passaste o tempo a enganar a solidão. É preciso ter-se coragem e saber-se suportar a fadiga e o isolamento, para se encontrar tesouros. O teu aguilhão também picará, mas só provocará febre durante três dias e três noites (ou durante o próximo mandato de 4 anos…).

A partir daquele dia, quando as pessoas vêem um escorpião preto (do tipo XI em latim):, esmagam-no por causa do medo que lhes inspira. Mas, quando vêem um escorpião amarelo (do tipo XXII em latim, em estado adolescente, que no estado adulto, vira escorpião PRETO…esse é o perigo…), sabem que este não faz tão mal (será mesmo ?), mas incomodam-se! Ficam vigilantes e fiscalizadores!!!

 

 

 

FONTE inspiradora : Sophie Carquain, Petites histoires pour devenir grand, Paris, Ed. Albin Michel, 2003.

 

Adaptação Livre: Pedro José adaptou, em registro de vermelho, com alguns comentários e outras alterações. O final é diferente da fábula original, é mais infeliz. NOTA complementar: se olharmos ao governo “Tipo NOTA DEZ“, nos últimos 8 anos, em comparação prognostica com as consequências do “escorpião preto”: naturalmente, saberíamos quem é/era o TIPO PRETO ou TIPO AMARELO, pois os resultados seriam/são perfeitamente convertíveis. Alguns leitores preferiam uma versão a “preto e branco” a fábula, mas a vida é a cores e cuidado, muito cuidado, perante quem nos tira as “cores” da VIDA! Pela versão a cores serei sujeito a escrutínio “violento”… Mas não adiante fechar os olhos e enfiar a cabeça num “copo de cerveja”! Vamos fazer os eleitos trabalhar, como eleitores responsáveis que todos somos!

 

 

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