Voto não tem preço, tem consequências – ELEIÇÕES CHAPADINHA

 
 

 

“UMA ANÁLISE DA SITUAÇÃO”

OU VOTO NÃO TEM PREÇO, TEM CONSEQUÊNCIAS (*)

 

“Passou o dia das eleições. Estão escolhidos nossos representantes. Embora o resultado definitivo ainda dependa de uma sentença final, o recado está dado. A conclusão dos votos caídos nas 143 urnas do Município de Chapadinha chama nossa atenção para alguns pontos dignos de reflexão:

 

1 – O resultado dependeu mais de uma eleição ou de uma rejeição? Quem pensava sentiu-se entre o ridículo de uma triste experiência que não se devia repetir e uma humilhante proposta que repugnava aceitar. Reinou a vergonha moral. Ganhou a paixão. Política não é de plástico. Quebra com facilidade. Ninguém se iluda!

 

2 – É vergonhoso para Chapadinha ter o eleito nas urnas sub judice por um processo de má prestação de contas e de improbidade administrativa, impetrado pelo Ministério Público Eleitoral. Como não houve registro de substituto, se for declarada a inegibilidade, seus votos serão declarados nulos e proclamado outro resultado das eleições. Aguardemos.

 

3 – A derrota nas urnas da candidatura apresentada pelo atual Prefeito foi bem anunciada. Só não a percebeu, antes da votação, quem a não queria ver. E depois ainda foi favorecida pela propaganda criminosa do adversário feita em tempo proibido. A corrupção com compra de votos correu a céu aberto. Até quando demorará a educação política do povo?

 

4 – A culpa do acontecido deve-se procurar no mau jogo político e nas pretensões do atual Prefeito. Tudo isso e uma teimosia congênita aliada à concentração de todo o poder na sua pessoa fragilizaram todo o seu grupo político. Depois a distância e até prolongada ausência a que se manteve da população, a demasiada arrogância engordada pela confiança de quem nunca tinha perdido, o uso exagerado de um sistemático marketing alimentado com ofertas periódicas, com o uso até à exaustão da Rádio e da TV e com o patrocínio inusitado de festas… não conseguiram alienar suficientemente toda a população. A publicidade política, mesmo bem programada, nunca consegue substituir as necessárias políticas públicas.

 

5 – Outras candidaturas, sobretudo o acostumado tapete do Governo de Estado que apoiou dois candidatos, não mereceu o devido respeito. É bom constatar que, em democracia, a alternância no poder conquistada legitimamente por grupos competentes e assumida por pessoas responsáveis, é benéfica. Não deixa os defeitos criar raízes profundas.

 

6 – Há muito que parecia evidente e ousado demais querer legitimar uma administração inoperante com a única e espremida preocupação de cumprir o estrito dever de pagar a folha de vencimentos, mesmo logo após uma desorganizada administração que não pagava aos funcionários públicos. Elogie-se a forma respeitosa e pacífica de administrar. Favorece o bem estar e cria convivência. Mas não serve para justificar abusos. No futuro, ninguém pense governar de modo truculento e ignorante. Hoje em dia, isso tem conseqüências imediatas e negativas. Mesmo ídolos caem com a conscientização do povo.

 

7 – Chapadinha cresceu bastante e trouxe para as periferias um enorme contingente de marginalizados que ficou esquecido, sem benefícios. A maldosa apropriação de programas federais pouco convenceu. Valha-nos esta verdade!

Engana-se quem reduz a cidade a um grupo de jovens que, gostando de se divertir, em fins de semana, dança durante a noite e dorme de dia. É também muita gente adulta que precisa de mais sossego durante a noite para poder trabalhar no outro dia e trazer algo que comer para casa. Chapadinha não tem só funcionários públicos ou comerciantes. É também gente pobre que perambula pelos bairros sem ter um emprego a que se agarrar. Obras públicas, para ajudar esta gente, pouco apareceram.

 

8 – Nos lares sentiu-se muita instabilidade pela agitação promovida pelo exagerado ambiente de festas, carnaval dentro e fora da época, valorização do tempo lúdico com prejuízo para o estudantil e familiar. Agora colheu-se o fruto envenenado que floresceu na debilitação do ambiente social. E depois, perca-se a ilusão que a vida privada das pessoas públicas é opaca e que o povo é cego. Sua influência condiciona o ambiente moral público. O repúdio a abusos escandalosos foi evidente.

 

9 – O Prefeito preferiu privilegiar, com uma candidatura a seu gosto, a sua trajetória política. Apontou, mas não acertou. Com extrema facilidade, os empobrecidos e quem nunca singrou com o seu próprio e legítimo esforço se identificaram com o estilo populista e facilitador de outro candidato e decidiram correr atrás de suas pitorescas promessas, da sua maneira engraçada de falar, enfim, de seu modo de desafiar esperanças que sempre habitam a cabeça do povo. Mas é bom não esquecer que, no presente, há um equilíbrio numérico muito acentuado entre as duas maiores forças políticas de Chapadinha.

 

10 – Ninguém pense viver no passado. Lidar com multidões não é fácil. Traz muitos perigos. Os responsáveis devem-se sentir conscientes do que pode acontecer com emoções levadas ao exagero, com atitudes não controladas e com confrontos extremados. Chapadinha já não é uma aldeia primitiva, habitada por poucos e sem lei. Preveja-se as consequências de determinados e irresponsáveis pronunciamentos que não promovem a ordem e suscitam a arruaça. Que vencedores e derrotados saibam tirar uma forte lição de tudo que aqui e noutras partes tem acontecido e não se repitam erros grosseiros do passado. É lícito festejar uma vitória. Mas será bárbaro desencadear terrorismo e vinganças estúpidas acumuladas.

 

11 – A comunidade católica ainda não despertou para a pastoral social e daí a sua falta de participação política. Lacuna.

 

12 – Apesar de toda a análise, ainda permanecem algumas perguntas que todos fazem, a que só alguns saberão responder e que ninguém arrisca propor. Vejamos algumas dessas perguntas:

*Quantos vereadores eleitos vão ficar fiéis a seu grupo sem colocar em leilão sua presença na Câmara?

*Que dinheiro irá pagar ou já pagou tantos gastos feitos na campanha eleitoral, sobretudo daqueles dois candidatos que declararam não ter bens e foram os que mais gastaram?

*Quem vai ter a preferência: os que trabalham ou quem emprestou dinheiro?  A quem se vai pagar primeiro?

*Que se poderá fazer quando não aparecerem melhoramentos e desaparecem as verbas mensais que a Prefeitura recebe??

*Como se justifica tanto interesse em conquistar uma Prefeitura?

*Poderá o povo queixar-se da corrupção dos políticos depois de ter sido corrupto na venda do seu voto?

*Pessoa que ocupou alguns cargos nacionais mostra-se tão interessada pela Prefeitura de Chapadinha! Donde virá tanto interesse? Será verdade o que se fala de prêmios no passado?”

 (*) FONTE: in Vida Nova – Boletim Formativo e Informativo das Paróquias de Chapadinha e Mata Roma, N°28 – 12/10/2008, pp. 2 e 3. Assessor co-editorial: Pedro José, C.I. – Estado do Maranhão: Reg. Geral – nº036010632008-9, data de expedição 18/09/2008, Doc. Origem: Nacionalidade Portuguesa, Portaria Ministerial N.0/9832008.

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Uma resposta a Voto não tem preço, tem consequências – ELEIÇÕES CHAPADINHA

  1. IDA diz:

    Uma leitura clara e consciente dos acontecimentos, concordo plenamente com tudo o que li!!
    Embora à distância estou a acompanhar os acontecimentos e o resultado das eleições foi seguramente o que mais me revoltou e deixou apreensiva. Concluí que agora há que assumir as consequências das opções que se tomam e inevitavelmente as suas implicações, mesmo que alguns se sintam revoltados por não se reverem na maioria.
     
    Um forte abraço_ Ida Coimbra
     

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