o mas como cifra

 

 

o mas como cifra

 

 

1. MAS qual é a sua profissão? Profissão? Fazedor de milagres. Ou simplesmente faço milagres. Isso não é profissão. Os milagres não existem. São as margens do desconhecido, logo que sejam conhecidas, os milagres deixam de o ser. É verdade que hoje é bem mais difícil acreditar em milagres. O milagre assinatura de Deus. Eu sofro de iliteracia divina, mas não tenho cura. Só um milagre mesmo!? MAS os milagres existem, eu garanto que existem, pois eu vivo de fazer milagres embora não reconhecidos. Esse não reconhecimento é o meu problema de marketing.

 

2. Esta estória vai de mal a pior. Já disse que não acredito, melhor, milagres não existem e ponto final. Nem se trata de convocar a Ciência para o caso. Os milagres não existem porque estão para além da abordagem científica. Estamos propondo universos diferentes. Só há um Universo. Fé e Ciência são parceiras antagônicas. A nossa linguagem entra num Jogo sem fim. Não são inimigas mas não se podem ver uma à outra. Dizem que sim. MAS eu comprovo que não. Frente a frente não ficam. São como os Olhos nunca se podem ver um ao outro. Sempre a ironia que se refugia num cepticismo lúcido.

 

3. MAS e mas. Talvez e talvez. O nosso árduo trabalho de pré-compreensão é inútil. Inutilidade abençoada. Os milagres não existem. Retomo a minha asserção. Eu faço milagres não reconhecidos que vulgarmente são chamados de “sacramentos”. Estabeleceu-se e aceitou-se que são sete. Podem e deveriam ser mais, entrando na categoria dos sacramentos “culturais” e não apenas os “naturais”. Nós amamos a nossa cultura como quem no calor tórrido da existência se banha debaixo de água num rio de incertezas. Da dúvida nasce a Fé. Na dúvida a Fé amadurece. Pela dúvida a Fé “aspira” sem medo.

 

4. Volto a repetir o meu problema-chave é o não reconhecimento. Tirando essa pedra-de-toque a Vida é uma “conspiração” no sentido de “respirarmos juntos”. Hoje é como ontem. Amanhã não será igual. MAS escolhemos o péssimo. Milagres sem Fé. Santidade sem Deus. Amor sem Espírito. “É cultura da previdência, em vez da providência. Trata-se de uma mudança subjetiva e objetiva. A mudança subjetiva passa por uma nova educação, contextualizada, que deveria começar pelo próprio currículo escolar; a mudança objetiva passa pelas novas tecnologias” (Roberto MALVEZZI).

 

5. Não será necessária uma dialética holística? Quando os milagres são acolhidos exclusivamente como-para-o-Corpo. Há uma contradição terrível, uma ruptura da Graça. O Corpo é aquém. O Espírito é além. MAS precisamos e queremos Transparência. O milagre é como Deus, quando não está é mais presente. Quando está fica ausente. Mesmo quando não é existe. A saturação religiosa é um perigo. No perigo está a salvação. Salvar-se do não reconhecimento. Deus insinua-se. Os milagres fazem-se na Esperança de poderem ser levados a sério. Força da nossa fraqueza. Símbolos que fazem pensar.

 

6. Quase brinco de Deus, nem palhaço nem mártir. Sou um fazedor de milagres. Profissão liberal. Credo heterodoxo. Profundamente indigno mas cheio de boa vontade. Não resolvo os problemas de ninguém. MAS há um mas. Uma masturbação espiritual desencarnada. Sou um crisântemo escurecido. Impropriamente sou eu mas quando não o sou em pecado.

 

 

AUTOR: Pedro José, Chapadinha, 21-07-08; 3203 caracteres (com espaços incluídos).

 

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Incontinências. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s