nossas concretizações

 

 

 

nossas concretizações

 

 

[Comentário: XIV Dom Comum. Ano – A: 06-07-2008]

 

1. Nós nos revelamos pelas palavras. As nossas palavras estão cheias de vícios e jogos de linguagem. As palavras de Deus são a invenção permanente da própria Linguagem. Nós nos revelamos pelos atos e ações. Os nossos atos e ações muitas das vezes não são nossos. Os atos e as ações de Deus, suas Obras, são próprias. Não há nada fora do Pai, do Filho e do Espírito, que não seja Obra de Amor. Nós nos revelamos através de confidências. Como nos fazem falta confidências. Essa lição de Jesus Cristo é inesgotável. Confidências que sejam as nossas cruas inconfidências. Temos de caminhar pelo que não somos, para chegarmos a conhecer o que somos.

 

1’. “… ó Pai (Abba = papa, paizinho)… porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11, 25).

Como a minha pretensa sabedoria é interminável e insuportável. Não sei se vos acontece… mas não suporto as minhas explicações; raramente termino os meus raciocínios de modo satisfatório. Oh Sabedoria escondida! …mas nada de ocultismo mórbido… discrição e concisão apenas. Deus é simples na Sua complexidade. Simplificação que não abdica da inteligência, nem a despreza no suposto fideísmo.

 

1’’. “…estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso.(…) e vós encontrareis descanso” (Mt 11, 30).

Perguntas que me faço diante do meu cansaço (intelectual e pastoral, não consigo ter cansaço espiritual, graças ao Espírito… Impossível tédio espiritual. Amargo tédio existencial.): A que esforço máximo pode ser submetido o meu corpo humano? Por quantas horas? Com que variações de rendimento? Depois vejo as conseqüências no incremento da “produtividade”; na troca da eficiência pela eficácia; e mais desastrosa, ainda, da eficácia pela fecundidade. Sou estéril. Sou tédio e fadiga em estado bruto. Não sou o gênio da perfeição, mas o humano que erra feio nas suas limitações. Sou um monótono, no sentido literal, de um só tom; eu queria ser polifônico. Nem música minimalista, nem eletrônica “mixada”. A música dos pássaros e a beleza dos lírios dos campo. Essa é a criatividade, essa é a disponibilidade.

 

 

Deus simplesmente insinua-se e pronto. Revela-se numa confidência de suavidade e leveza. A sua Palavra não é um interdito mas um orgasmo. Nele há pausas e repousos graciosos em todas as suas Obras. Não encontramos o consolo da confidência que não seja a responsabilização pela transformação do mundo injusto. Como reduzir os acidentes pastorais que fiz e faço (e não queria fazer mais)? Como eliminar o conflito: quando ele é o Homem-Conflito? Darei descanso, encontrareis descanso: só Tu tens palavras de Vida Eterna.

 

Autor: Pedro José, Chapadinha, 06-07-2008.

Caracteres (espaço incluídos): 2646.

 

 

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