a dupla identidade e missão na Igreja

 
 

 

a dupla identidade e missão na Igreja

 

[Comentário: S.Pedro e S.Paulo, Apóstolos. Ano – A: 29-06-2008]

 

 

1. Hoje, junto com Pedro e Paulo, apagamos as velas do bolo de aniversário do papa. Querido papa o teu bolo é sem cremes, sem glúten, só com frutas naturais cristalizadas, uma-massa-pão, de preferência, com pouco açúcar (é impossível fazer um bolo sem açúcar!). Vemos a tarefa como complicada. Dia de Pedro e Paulo reconciliados, não os quero reconciliar à força. Pedro paulino e Paulo petrino, olhando de frente um para o outro, “lá-na-Praça-do-Vaticano”, sem conspirações, e com muitas explicações, em cada sermão de cada púlpito. Sem estarem romanizados pela cúria, Pedro e Paulo, Apóstolos, e sobretudo Profetas que nos fazem imensa falta, neste mundo sem a sua Igreja (dos dois em Um…). Os dois são o segredo do Bolo de Aniversário do Papa. E “Ele” certamente saberá da receita; será que “Ele” vai divulgar o segredo da receita?

 

2. O lado-sem-sabor – “Todo sucessor de Pedro possui verdadeira jurisdição, pois tem o poder de promulgar leis, julgar e impor penas, de forma direta, em matéria espiritual, e indireta, no campo temporal, sempre que se apresente como necessária para obter bens espirituais. Essa jurisdição é plena: não há poder na Igreja que não resida no Papa. É universal, ou seja, todos os membros da Igreja (fiéis, sacerdotes e bispos) a ele estão submetidos. É, ademais, suprema: o Papa acima de todos, e ninguém acima dele. Até mesmo os Concílios Ecumênicos não podem se realizar sem ser por ele convocados e presididos. Os próprios estatutos conciliares não o obrigam, tendo ele o poder de mudá-los ou de derrogá-los”(1).

(…)Entre a semente e a pedra, reafirmaram a pedra. Os bambus estão proibidos de florir. Para que florir? É desnecessário. A Igreja possui a verdade toda. Não precisa dos outros. Proibido está o jogo de trocar sementes. Diálogo, só para que os outros sejam convertidos à sua verdade. Por que ouvir o outro, se possuo a verdade toda? Por que permitir que o outro fale, se aquilo que ele fala só pode ser mentira? Todos os que pretendem possuir a verdade estão condenados a ser inquisidores. Assim, sobre todas as sementes se coloca a maldição do silencio, obsequioso…”(2).

 

3. O lado-com-sabor – “O enunciado do Concilio Vaticano II sobre a Igreja como mistério combate, em primeiro lugar, uma concepção institucional ou sociológica da Igreja. Igreja não é apenas uma associação de seres humanos que têm a mesma fé e que por isso perseguem objetivos comuns. Mas tampouco é uma instituição estruturada hierarquicamente na qual autoridade e conhecimento de fé fossem transmitidos exclusivamente através do ministério. Um modelo exclusivamente democrático-básico é tão inadmissível como o é um pensamento exclusivamente hierarcológico. Muito antes, Igreja é mistério porque nela a dinâmica da ressurreição já está realizada antecipadamente no poder do Espírito Santo” (3).

“Uma coisa é certa: a minha eclesialidade, no fim das contas, foi só um elemento, de qualquer modo para mim indispensável, da minha vontade de ajudar as pessoas, uma vontade que atinge o seu verdadeiro objetivo só e à medida que essas pessoas crescem na fé, na esperança e na caridade, na relação direta com Deus. Qualquer amor pela Igreja oficial seria idolatria, participação no horripilante egoísmo de um sistema por si mesmo, se não fosse animado por essa vontade e por ela limitado(…)(4).

E pode-se dizer que cada um(a) gosta de escolher a sua fatia do bolo. “Menos Pedro e mais Paulo; menos Paulo e mais Evangelho”. E como se Deus escrevesse direito por linhas tortas e se é sempre verdade que na voz do Povo, está a voz de Deus, então no céu o bolo será terreno. O que amo na Igreja? Só compreendemos verdadeiramente o que amamos. Ainda haverá fé e razões suficientes para cantar parabéns!

 

 

(1) CLÁ DIAS, Pe. João Scognamiglio, EP, “A Pedra Inabalável” in Flashes de Fátima, Arautos do Evangelho (Associação Privada Internacional de Fiéis de Direito Pontifício), Ano X, nº61, Junho 2008, p.18.

(2) ALVES, Rubem, Transparências de eternidade, Verus Editora, Campinas, 42002, p.88.

(3) NEUNER, P., Voc. “Igreja” in Léxico das Religiões, Editora Vozes, Petrópolis, 1998, p.273.

(4) RAHNER, K. citado por ALMEIDA, António José, Sois um em Cristo Jesus (Eclesiologia), Ed. Siquem & Paulinas, Livros Básicos de Teologia, 8.1., São Paulo, 2004, pp.190-191.

 

Autor: Pedro José, Chapadinha, 27-06-2008. Caracteres (espaço incluídos): 3715.

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