O comer à mesma mesa – por José Miguel GARCÍA

 

 

 

O comer à mesma mesa

 

 

[Comentário: X Dom Comum. Ano – A: 08-06-2008]

 

Mateus narra que enquanto Jesus “estava à mesa” (Mt 9,10), foi questionado o seu ato de comer “com os cobradores de impostos e pecadores?” (Mt 9,11).

O exegeta espanhol, José Miguel GARCÍA, abre a nossa compreensão: “Jesus não proclamou apenas a concessão do perdão dos pecados por meio de palavras, também o fez por meio de acções. Entre elas, segundo o parecer de J. Jeremias, destacaram-se de maneira singular as refeições com publicanos e pecadores: “A forma de proclamação de perdão – de proclamação por meio de acções – que mais impressionou os homens daquela época foi a comunhão de mesa que Jesus teve com os pecadores: o facto de Jesus se sentar à mesa com eles. Jesus convida-os à sua casa (Lc 15,2) e, num banquete, senta-se à mesa com eles (Mc 2,15 par.). Que estes relatos são históricos vemo-lo drasticamente pela frase depreciativa dirigida a Jesus (Mt 11,19; Lc 7,34) que, seguramente, remonta aos próprios dias do ministério público de Jesus” [J. Jeremias, Teologia Del Nuevo Testamento, 140. A frase de Mt 11,19 diz o seguinte: “Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo dos cobradores de impostos e pecadores!”]. Esta conduta de Jesus não tem origem num sentimento humanitário pelos marginalizados ou numa rebeldia face às barreiras sócio-religiosas da sociedade; interpretar assim a comunidade de mesa que Jesus manteve com os pecadores seria censurar o seu verdadeiro significado e incapacitar-se para compreender o motivo da virulenta rejeição que esta suscitou entre os fariseus”.

“(…) Portanto, ao comer com publicanos e pecadores, Jesus realiza uma acção simbólica que exprime a amizade entre Deus e o pecador. O perdão de Jesus é o perdão de Deus; a amizade que, com a sua comunidade de mesa, oferece a publicanos e pecadores é a amizade de Deus” (1).

Reiteramos a comunidade de mesa com “os” publicanos e “os” pecadores – sabemos quem são eles/elas, hoje, e onde os/as encontrar? – envolve a nossa pessoa e missão, na concessão autêntica e generosa de amizade, paz e perdão.

 

(1) GARCÍA, José Miguel, As origens históricas do cristianismo, Edições Tenacitas, Coimbra, 2007, pp. 133 e 135.

 

Autor: Pedro José, Chapadinha, 07-06-2008.                                                                                                                                                       Caracteres (espaço incluídos): 2002.

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