Duas espécies de riqueza

 

 

 

          Duas espécies de riqueza

 

 

[Comentário: VIII Dom Comum. Ano – A: 25-05-2008]

 

Mateus logo no v.24, abre o fogo: “Ninguém pode servir a dois senhores… Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Não sei se servir, significa, exclusivamente, fazer as vontades de. A vontade de Deus é o Reino. Por isso temos de ler também o v.33 “Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo”. È curioso saber que no texto grego de Mateus, dinheiro, diz-se Mamon, divindade do Dinheiro, da Cobiça. Daí que o “cobiçoso”, – poderíamos acrescentar, o consumidor “doente” – é o servo e escravo de Mamon, pois, mais que possuir, o cobiçoso é possuído por aquilo que cobiça. No ouvido ressoa a apropriação: “sua Justiça”. Está feita a exegese existencial mínima.

E agora eu leitor-a-converter. Eu gosto de dinheiro. Não passo sem ele. Tenho procurado, com ética (…), aumentar, de todos os modos, as minhas fontes de rendimento. E não estou infeliz por isso, bem pelo contrário. Paralelamente, odeio o dinheiro e todas as relações diabólicas – ainda é eufemismo dizer diabólicas – que ele, Mamon, descria na nossa Humanidade e em mim simples assalariado, “mal pago” (as aspas são reais…). Ser pobre é uma Vocação, fazer-se pobre é uma Profecia. Fazer a Comunhão com os pobres e tomar a comunhão eucarística: é um negócio muito sério!? Ter pobreza e não possuir, é muito difícil, todos os dias recomeço. – Não resisto a livros bons e sapatos bons. Bons mesmo! Quero fazer da Vida uma PARTILHA, eis o meu caminho. Empresto o “meu” dinheiro, e sou capaz de contrair dívidas para emprestar aos amigos do peito e aos, verdadeiramente, necessitados. Voltarei a emprestar, sempre, sou “mole de coração”. Quero instituir um “Fundo de Solidariedade Paroquial”, mas ainda não consegui vender o meu projeto aos “outros-ricos-como-eu”.

Finalmente, a palavra a quem pode clarificar: “Existem duas maneiras de ser rico: quando se tem muito, ou quando se precisa de pouco”. Essa frase pode ser literalmente aplicada à felicidade da vida. Quando uma pessoa se sente prejudicada pelo destino, ela sempre tem a possibilidade de “não precisar de muito” para estar satisfeita, o que, em determinadas circunstâncias, constitui o bem mais valioso, porque deixa a pessoa independente dos azares do acaso. As atitudes que mantêm o equilíbrio da alma quase sempre são as que “não precisam de muito”, não exigem muita felicidade, porque sabem dar uma resposta positiva mesmo às ocorrências desagradáveis que não podem ser evitadas”(1).

 

(1) LUKAS, Elisabeth, Histórias que curam – porque dão sentido à vida, Verus Editora, Campinas/SP, 2005, p.79.

 

 

Autor: Pedro José, Chapadinha, 25-05-2008.Caracteres (espaço incluídos): 2600.

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