O corpo de Deus paralitúrgico

 

O corpo de Deus paralitúrgico

 

 

1."Nada possuir” Estou cheio de “nadas”. Quero nada possuir. Malditos apegos de toda a ordem e feitio. Possuo o que não devo, possuo o que não preciso. Possuo neuroses. Basta. Possuo de mais… Desprender-me de Tudo e Todos. Abaixo o Reino do Ter. Anestesiei a Consciência, posso ficar tranqüilo, amanhã tudo será igual como dantes. Mesmice. Polaridade negativa. Não sou nada, sou um menos… Caminhar e nada possuir. Parar e nada possuir.

 

2. "Nada carregar” Carrego o Futuro não vivido. Como é possível pesar-me o Futuro? Oh Esperança de chumbo! Onde está a Leveza, a sustentável leveza desejada… Nada carregar. Os fardos que me colocam são absurdos…Xô! Olha o peso do irmão nas tuas costas… O peso do irmão no seu olhar humilhado! Carrego olhares que me carregam a mim. Carrego um dia após o outro… Oh Esperança de chumbo! Nada carregado.

 

3. "Nada pedir” Não quero piedade de ninguém, quero a piedade do Espírito Santo! Só Dele! Mais ninguém! Peço de mais, tenho de pedir com Verdade! Não sei pedir bem. Erro e não peço perdão! Nada pedir com Mentira! Servilismos de Náusea… pedir ferido, mas honrado… pedir a quem é mais fraco, pedir a quem é mais burro que eu…, pedir a quem-não-pode-pedir-a-ninguém… pedir sabendo que a resposta é NÃO, e ainda assim, pedir. Fora disto, por favor, nada pedir!

 

4. "Nada calar” – Quem cala consente. Quem é quem? Não sabemos quem. Como calar? Consentir quando, onde, e porquê? Busco a complementaridade da Diferença. Omissão pecaminosa de calar quando me é conveniente. Nada calar do bem-pensado, do bem-amado. Calar só o Silêncio em Deus. Nas conversas decisivas e decisórias: nada calar.

 

5. "E, sobretudo, nada matar" – Matei no pensamento. Olhei o modo de vestir e julguei, confesso que matei num instante eterno! Matei, depois, através das aparências! Tornei a matar durante o almoço, e só não matei ao jantar, porque não jantei. Senão, confesso, matava novamente com prazer sádico!? Sou um homicida involuntário… não quero matar, mas mato. Até mato mal!? Mato, porque rezo mal. Minhas orações não têm a Vida em Deus. Reciprocidade do tu a TU. Onde estás “Corpo-de-Deus”? Diante do Outro respeitar, sempre, a Vida em todas as suas formas. Mato-a-toda-a-hora! E, sobretudo, não matar mais, nada matar.

 

 

AUTOR: Pedro José, Chapadinha, 22-05-08;

2261 caracteres (com espaços incluídos).

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