impressões de rascunho

 

impressões de rascunho

 

 

1. Sem assunto, logo o assunto é bom – Tenho dentro de mim todos os assuntos. A pergunta paralela sobre as novidades tem a mesma resposta? Nenhuma novidade, porque tenho dentro de mim todas as novidades, do tipo “comida requentada”. Por causa da pressa existencial nada é absorvido. Preciso de tempo-de-ser. Pergunto sem tréguas: o que é que eu tenho dentro de mim? Que desejo pediria ao gênio da garrafa?

 

 

2. Dentro de mim, um mundo incausado – Dentro de mim há trabalho. É preciso ralar. Ralar mesmo. Há condições, é a circunstância: faça-se. Aliar foco e flexibilidade. Assumir o prejuízo do bônus e o prazer do ônus. Sobretudo, cuidar de quem cuida: a doação do serviço que é humanização. Organizar e disciplinar. Há progresso mas as metas pessoais ainda estão longe de serem cumpridas. Por isso, dentro de mim há sonhos e impotências. Sonho todas as noites. Vivo com impotências todos os dias. Deus alimenta os sonhadores e penitencia os impotentes.

 

 

3. O maior elogio: era um desequilibrado para o Bem – Só pensava no Bem. Só fazia o Bem. Sentia o prazer extremo no Bem. Mas dentro de mim existe o poder da vergonha ou será o poder da culpa? Serei o oriental mais ocidental, ou o ocidental mais oriental. Sexo dos anjos. Todas as minhas ausências sinalizam presenças. Infelizmente, não sou assim tão Bom como gosto. Sou de outro jeito. Do lado do avesso. Sem procurar ser aprumado. Considero com demasiada freqüência que o meu “concordismo” é pernicioso.

 

 

4. Estar com: sem estar com apegos – Austeridade nos gastos de qualquer ordem é uma tarefa sempre complicada. Inteligência pragmática quando se sabe que é por dentro das coisas que as coisas são. “Coisificar” a realidade no Bem. Interessar-me apenas pelo Bem. Há danos colaterais de efeito estético, ético e evangélico. Princípio residual: não te afastes, aproxima-te lentamente!

 

 

5. O corpo é fantástico. O espírito é sedutor – Tinham-me dito ao ouvido que era o contrário. A Fantasia pertencia ao Espírito e a Sedução ao Corpo. Pratico o contrário, quero praticar, sem manual de instruções: com sensibilidade e indiferença existenciais, olhando aos existenciários. Não quero espiritualizar “os-meus-problemas” que são principalmente psicológicos; porém, posso correr o risco de psicologizar “os-meus-problemas” espirituais. Espera aí são os-meus-problemas: (a)só meus; (a’) meus e dos outros; (a’’) só dos outros; (a’’’) não são problemas.

 

 

6. Cortar no próprio espírito – Li, por acaso e necessidade, um artigo na net que me limpou exegeticamente. Novamente, aprender a estudar nas fontes verdadeiras. Estudar e ler, reformular e transmitir. Rezar e orar, há diferenças. Madre Teresa: escuridão, aridez, desolação, dúvida, incredulidade, depressão e desespero. Ou os setes “D” em inglês: Darkness; Dryness; Desolation; Doubt; Disbelief; Depression e Despair. Voltei-me para o princípio das impressões “com” rascunho, perdi o “de”. Não há novidades e tenho assunto. Tenho assuntos sem novidade.

 

 

AUTOR: Pedro José, Chapadinha, 05-05-08; 2948 caracteres (com espaços incluídos).

 

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