Confissão – Pedro NETO

 

Confissão

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1. Senhor, meu Pai:Perdoa-me.

Por mais que me esforce, não consigo ser bom suficiente para os níveis que Tu indicas (ou que indicam por Ti) como aceitáveis. Não consigo ser bom, ser santo. Nem chegar lá perto. Não consigo sequer ter essa postura de cabeça inclinada, mãos a direito.
Pela lógica, não tenho a mínima hipótese de ser salvo, é um facto. Mas… como é pela tua Graça que todos os seremos!
Penso que estou safo, tenho fé nisso como tenho na Tua ressurreição!
Por mais longe que esteja do aceitável (embora eu tente, a sério que tento!), o Teu Amor e a Tua Graça infinita vão resolver isto!

2. Senhor, meu Pai:Dá-me entendimento.

Não compreendo porque é que nos havemos de matar uns aos outros por causa de petróleo que não passa de um líquido, de diamantes que não passam de pedras, de ouro que não passa de um metal…
Não compreendo porque é que criámos um sistema de troca de bens baseado na especulação.
Não compreendo porque é que, por causa dessa especulação, o essencial à vida como o arroz, os cereais sobem de preço deixando à beira do abismo da fome quem já pisava os limites da vida.
Não compreendo porque dá tanto trabalho, porque é preciso apresentar tantos planos, tantos orçamentos previsionais, tantos impressos diferentes… só para se poder dar um pão a um pobre.
Não compreendo porque há pessoas que se aproveitam da Religião para fazer valer os seus interesses. Até dizem que matam em Teu nome! E há tantas maneiras de matar…
Não compreendo Senhor, porque às vezes nos sentimos com o dever cumprido porque fomos à oração por não sei o quê e saímos da capela de coração tranquilo por termos estado lá, tão felizes e contentes… e depois cá fora, não fazemos nada por esse não sei o quê por que Te rezámos antes…
Não compreendo porque desistimos tão facilmente.
Não compreendo porque é que na Igreja de Amor ao próximo que Tu quiseste fundar… é necessário um padre nomear o presidente dos acólitos da paróquia.
Não compreendo tantas estruturas, tantas hierarquias, tantos cargos e tantos nomes, presidentes, directores, direcções… da catequese, dos leitores, dos organizadores dos cálices para a Missa. Precisamos disso tudo? Nós que somos irmãos…

Não compreendo Senhor meu Pai, tantas fragilidades em mim, tanto cansaço para nada, tão pouco fulgor e desenvoltura para caminharmos em direcção ao que interessa, sem distinguir o que vale a pena do que não vale!
Não compreendo tanta complicação à volta da simplicidade do pão e do vinho, à volta da entrega na Cruz, com sacrifício e angústia por Amor.
Não compreendo sequer a minha ingenuidade em pensar que poderia ser de outro modo!
Não compreendo porque acontecem desgraças às pessoas boas? Porque morrem inocentes?… Alguns até perguntam por que O permites!

Já sei… liberdade! Foi uma das maiores coisas que nos deste! Se nos tiras isso, tiras-nos tudo! Até porque os inocentes que morrem, é pelas nossas opções erradas como humanidade… as mesmas do petróleo, dos diamantes, do fanatismo, e de tantos outros ‘ismos’.

3. Senhor, meu Pai:Dá-me entendimento,

Para continuar a olhar as coisas boas, sinais de Ti, nas pessoas e no mundo!
Que elas me continuem a encantar,
Ao menos, tanto quanto as más me perturbam.
Dá-me, meu Pai, o entendimento da Tua Graça!
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Opinião | Pedro Neto|
30/04/2008 | 16:24 | 3271 Caracteres

FONTE: http://www.agencia.ecclesia.pt/imprimir.asp?noticiaid=59603

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