minhas fixações (a)normais após o confessionário

 

minhas fixações (a)normais após o confessionário

 

 

1. Argumento do esquecimento – A história do homem que esqueceu o seu nome – Esse homem passeia pelas ruas, é capaz de ver e apreciar todas as coisas; somente não pode lembrar-se de quem é. Pois bem: todo homem é o homem dessa história; todos nos esquecemos de quem somos. O homem pode compreender o cosmos, mas nunca pode compreender o ego; este está mais distante do que qualquer estrela. [Amarás o Senhor teu Deus, mas não te conhecerás a ti próprio.] Todos nós estamos sujeitos à mesma calamidade mental; todos esquecemos os nossos nomes. Esquecemos quem realmente somos. Tudo aquilo a que chamamos bom senso, racionalidade, praticidade e positivismo significa, apenas, no que diz respeito a certas fases já mortas da nossa vida, que nos esquecemos de que estamos esquecidos. Tudo aquilo a que chamamos de espírito, arte e êxtase, significa apenas que, durante um atroz instante, nos lembramos de que esquecemos.

 

 

2. Argumento da dignidade – Lembremo-nos, porém, de que ser quebrável não é o mesmo que ser perecível. Dê uma pancada forte em um vidro e ele não durará um instante; não lhe toque e ele durará mil anos.

 

 

3. Argumento sobre género sexual – Dedicarmo-nos a uma só mulher é paga pequena demais para a dádiva tamanha de ver uma mulher. Queixar-me de que só podia casar-me apenas uma vez equivaleria a queixar-me por ter nascido uma só vez. Isso é incompatível com a sensação de que estávamos falando; e essa maneira de pensar, em vez de nos mostrar uma exacerbada sensibilidade perante o sexo, demonstra uma curiosa insensibilidade perante ele. Um homem é um tolo se se queixa de que não pode entrar no Paraíso por cinco portas ao mesmo tempo. A poligamia é a falta de realização do sexo: poderemos compará-la a um homem que, por mera distração, apanha cinco pêras.

 

 

4. Argumento da alegria/tristeza – A questão não é que este mundo seja triste demais para se amar, ou alegre demais para não se amar; a questão é que, quando se ama algo, a sua alegria é uma razão para esse amor, e a sua tristeza é uma razão para um amor ainda maior.

 

 

5. Argumento “sobre-o-ser-de-Roma” – (a) Os homens não amaram Roma porque ela era grande; Roma foi grande porque os homens a amaram; (b) Todos os caminhos levam a Roma, e essa é a razão pela qual muita gente nunca tenha chegado lá; (c) Em Roma, sê romano. No Maranhão, sê maranhense; (d) Ir a Roma e não ver o papa, é como tomar café sem açúcar: uns gostam outros nem tanto assim.

 

 

6. Argumento da pergunta/resposta – Ao tratarmos, portanto, de qualquer resposta histórica, a questão não está em saber se tal resposta foi dada no nosso tempo, mas se foi dada como resposta à nossa pergunta. E, quanto mais penso em como e quando o Cristianismo surgiu no mundo, mais me convenço de que ele veio exatamente para responder a essa pergunta.

 

 

7. Argumento do fácil – É fácil ser louco; é fácil ser herege. É sempre fácil acompanhar os tempos; o difícil é conservar a própria personalidade. É fácil ser modernista, assim como é fácil ser esnobe. Ter caído numa destas armadilhas criadas pelo erro e pelo exagero que, moda após moda e seita após seita, estabeleceram-se ao longo do histórico caminho do Cristianismo – seria coisa indubitavelmente simples. É sempre fácil cair: há uma infinidade de ângulos que nos podem provocar a queda, mas há apenas um onde podemos nos firmar.

 

 

Leitor: Pedro José, Chapadinha, 17-03-08. FONTE: Não sou o autor, apenas arrumei para cuidado pastoral e relacionamento humano, fiz apropriações (modificações ligeiras, numeração e títulos); mas querendo ler a obra inspiradora, para maior contextualização e aprofundamento, basta consultar: CHESTERTON, G.K., Ortodoxia, Editora LTDA., São Paulo, 2001, capítulos III a V, pp.76-77; 80; 81; 92; 93; 102; 113; 134-135. Caracteres (incl. espaços): 3310

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Incontinências. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s