aquilo que é o querer

 

aquilo que é o querer

 

 

1. Aquilo que verdadeiramente eu quero não é aquilo que eu sou. O que nós somos não é “o” pecado. Tentar descartar “o” pecado original não é o mesmo que descartar uma questão simples ou composta, mas complexa e subtil. Não podemos rejeitar sem mais essa carta do baralho da Vida, opinando que não nos serve para nada. Nós não temos a mínima ideia porque existe o Ser e não o Nada. No fundo nós não somos “o” pecado das origens. Há “o” pecado original e pecado original. Hodiernamente e (in)conscientemente perdemos o artigo que ajudava a definir. Essa perda não está assumida. É necessário mais terra, menos céu.

 

2. Acredito que com Fé e na maioria das vezes sem Fé: somos chamados a estar “fora” do pecado; quando estamos, verdadeiramente, “dentro” do Ser. O meu querer é que não quer o Ser. A questão do pecado das “origens” é sobre o Querer. E o que nós quisemos lá atrás é o que infelizmente nós continuamos a querer hoje. Queremos o nosso bem estar; a nossa satisfação; a nossa felicidade. Apenas egolatria. Queremos sem mais explicações, de preferência, também sem justificações. Queremos “o” agora relativo e “o” tudo em absoluto. A nossa intuição é: à génese da condição humana corresponde uma génese da vontade humana. O Querer que não-foge-de-si e nem confia-demasiado-em-si.

 

3. Mas como esquecemos que nós queremos dentro do Tempo, tempo de biologia e de biografia. Só quando nós queremos para além do tempo biológico e biográfico, conhecemos a Verdade e essa Verdade estará no horizonte da Vida-em-Deus. O Tempo do nosso querer põe à prova tanto a grandeza, como a debilidade de cada um de nós. Mentiroso ou Santo. Com sinceridade somos ambos.

 

4. Na prática queremos não querendo. Mas quando queremos querendo, de modo inteiro, abrimos as portas do Ser e não necessitamos de fechaduras. Aquilo que eu quero não é aquilo que deve ser querido por mim a curto prazo. Nós não queremos aquilo que deve ser feito mas sim aquilo que é desejado. Que o meu dever seja desejado pelo meu querer é aquilo que eu quero. Sem querer o meu Dever eu acabo querendo o meu Desejo. Aceitando que somos seres de Desejo: Como se harmoniza o Dever de Desejar ?

 

5. Algumas aproximações em linha transversal. VER: Sentir o prazer que é perdoar. JULGAR: Querer o dever de perdoar. AGIR: Dever perdoar por prazer. Atenção: não há relatórios nem sondagens que possam avaliar o que quer o Coração de cada um! Sobra-nos Tempo para amar e fazer o que queremos. Entretanto, recordaremos “o” Paraíso Perdido – sem enganos e com desenganos – porque já fizemos parte dele enquanto administradores responsáveis e não como inquilinos maus pagadores.

 

6. Aquilo que eu quero na Consciência é a Vida. Vida que se preocupa com o que fazer com aquilo que não deveria ter sido feito. Vida que quer que o Amor não morra jamais. Querer acreditar que o Amor é mais forte do que a Morte. Quase sempre mais forte quando o meu querer não é fraco e dúbio. Amo e quero todas as formas de Vida. Devo-me apenas mais Amor.

 

7. Na caminhada pela Vida partilho e manifesto a-razão-do-meu-querer-crente. Enquanto em Casa nos desconhecermos, na Rua não seremos irmãos. Escolho, pois, a Vida (cfr. Dt 30,19).

 

Autor: Pedro José, Chapadinha, 10-03-08

Caracteres (incl. espaços): 3164

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