Pelo fim do interesse

 
 

 

Pelo fim do interesse

 

[Preparação escrita da homilia, XXXIII Dom. Ano – C: 18-11-07]

 

 

Para os que quase nada sabem de Bíblia, ou de Religião, e ainda muito menos, de Teologia, há uma disciplina onde as leituras passadas, deste domingo e do próximo, são totalmente dissecadas. O nome da «desconhecida» é ESCATOLOGIA, significa literalmente «discurso» (logos) sobre o «último» e «definitivo» (escaton). Poderíamos, ainda, falar de uma “irmã gémea”, não sendo consensual, a «Apocalíptica», porém não temos espaço.

Dito isto é preciso sinalizar, apressadamente, que Jesus no Evangelho (Lc 21,5-19) – é recorrente neste finzinho de ano litúrgico – assume-se como um Profeta que fala num «horizonte escatológico», mas o mesmo não é procurar ver nessa «fala» uma crónica antecipada que leve ao Medo, ao Horror, ao Caos, diante do início deste nosso milénio (todos já “esquecemos”, passados apenas 7 anos, o que se disse, em barbaridades avulsas ao gosto do consumidor, sobre a mítica passagem para o ano 2000…).

Sobre o «Último» (na boa lógica será sem dúvida, também, o primeiro, ou até, o primado), é Cristo que nos assegura, «nem um cabelo se perderá»: podem ser todos de uma só vez…; ou ficarem totalmente brancos…; ou ficarmos enegrecidos por causa de uma radioterapia; ou doarmos os nossos orgãos, (in)voluntariamente, após um acidente; ou ficarmos endividados pelos bancos, para 3 gerações (a não ser que o pai seja o dono do próprio banco e pague a dívida), esses são «nossos fins», Etc. No entanto, o futuro Absoluto, isto é, o sentido «Último» da nossa história, está em Cristo. O «Fim Mesmo», o Último, só se compreende, em conjunto, com o Sentido e o Valor. E do Sentido e do Valor, do Último na nossa História, mesmo que poucos o pensem, somos obrigados a reflectir sobre o uso do dom do Tempo. O Tempo – em particular da nossa vida – é o problema essencial. Resolvido esse problema, estaria tudo resolvido. Poderemos sempre dizer, como S. Agostinho: «O que é o tempo? Se mo não perguntam, sei o que é. Se mo perguntam, ignoro-o».

Antes da afirmação da Escatologia, como deixamos só enunciado, falavam-nos dos «Novíssimos» (morte, juízo, e inferno ou paraíso), fruto de uma catequese adaptada a outro tempo… Hoje, uma nova síntese, passa(tempo) por não ser(mos) EU/NÓS um(s) espectador(es) mas actor(es) principal(ais). Temos um Compromisso na e com a História. Não por revoluções laicas, mas por renovações ecuménicas. A nossa Vida Cristã tem de ser um Diálogo sério e bem-disposto. Pela inteligência do «Último», negamos a displicência de incertos «primeiros», vivendo na diligência do Mestre e do seu Reino.

 

Autor: Pedro José, Missas Escatológicas: Espinhel; Paradela; Travassô e Ois da Ribeira, 17 e 18-11-2007.

Caracteres (espaço incluídos): 2535.

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