ver e ser visto: o paradoxo do encontro

 

 

ver e ser visto: o paradoxo do encontro

 

[Preparação escrita da homilia, XXXI Dom. Ano – C: 04-11-07]

 

 

Uma síntese que sempre nos pode ajudar num mundo, cheio de horrores e de perplexidades. A proposta de síntese é a seguinte: Fé tem haver com 3 Cs, isto é, C de Confiança, C de Conhecimento, e C de Comportamento. É uma escolha, bem sei, mas não uma escolha ao sabor do acaso.

No evangelho de «hoje» (Lc 19,1-10), Lucas, ao seu estilo, conta-nos um encontro que mudou a vida de uma pessoa. Jesus está a caminho, entra numa cidade, está no meio do povo, está no meio da história e faz história. Anda no meio da rua, diríamos «hoje», no meio dos nossos problemas e dos nossos sofrimentos. Qual o lugar de Jesus ? Está em todos os lugares. Não pertence a ninguém. Lucas no diz: Ele está atravessando as nossas vidas, cercado de pessoas, e nós somos «pequenos». Ver e ser visto: é a como provocação e não é o voyeurismo como IDEOLOGIA (a advertência de José P. Perreira: “E o pior ainda está para vir, porque, no plano mais vasto da educação cívica, estamos a gerar uma juventude que cada vez menos preza a privacidade e a intimidade”).

Zaqueu queria ir ao encontro de Jesus, para vê-lo passar, ou antes, para ver «quem ele era». Mas ficou a saber que era Jesus quem vinha até ele, para procurá-lo. Diferentes procuras, diferentes lugares de salvação. Ainda há o tempo que não é espera ou desespero. Jesus fala «HOJE» equivale a «agora», «sem demora», em oposição a «amanhã», «mais tarde».

É importante não esquecer que por iniciativa de Jesus, ele não só se deixa rodear por publicanos, mas convida-SE agora ele próprio para a casa de um deles, e não dos menos importantes (um chefe). E mudança notável: alguém que queria conhecer Jesus e o descobre, VÊ, além disso os pobres a socorrer! Nosso plano de sempre: «Estar ao serviço dos mais pobres!», com intenções e obras.

Ver e ser visto: o paradoxo do encontro. Ou seja, noutras palavras, a mesma realidade, no «hoje» em que nos sentimos «agradecidos», já somos nós os «agraciados». Como Zaqueu quero e devo: na Fé encontrar a Confiança da delicadeza; o Conhecimento que engrandece a minha pequenez; e a mudança exigida ao meu Comportamento.

«Fixar o olhar nos olhos de Cristo, deixar-se ver por Ele e depois Ver com os olhos d’Ele, é um ideal» (Vasco Pinto Magalhães).

 

P.S. A meditação transpira: Jean-Noel Aletti, Voltar a falar de Jesus Cristo, Edições Cotovia, (tradução portuguesa -1999).

 

Autor: Pedro José, Borralha, 03-11-2007.

Caracteres (espaço incluídos): 2212

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