igreja dentro do caminho

 

 

igreja dentro do caminho

 

(…por uma eclesiologia mística:

vamos pensar e agir juntos…)

 

“O reinado de Deus é só de Deus,

e dos que pertencem a Ele em espírito e de verdade”.

Pedro José

 

 

[FACTOs]:

O meu trabalho de Igreja, presentemente, pode-se resumir em 5 verbos fundamentais: comer + dormir + rezar + ler + conversar. Não faço mais nada! Encontro-me super ocupado!

A minha pobreza e liberdade, dentro da Igreja: é não me prender as coisas/sentimentos/sonhos: BANAIS. Não confesso Fé suficiente nas mediações e sinto nisso o pecado do orgulho (ou será autonomia…). Só sei que não quero viver na pele! À flor-da-pele, que bela expressão, grávida de Ternura (a única espécie de Amor, que não consigo corromper)!

Sou, em silêncio (ando aprender a ler os olhares e os movimentos dos corpos…), “acusado” de miopia (logo eu que vivo míope…). Há e não há a teoria da conspiração. Dentro da Igreja, não podemos ser tendenciosos; não podemos ter as nossas preferências, as nossas amizades; fazer cedências a uma «teologia jornalística» – como se os jornais não fossem uma conquista (lidos online, melhor para a ecologia). Eu, confesso, quero ser «um jornalista transcendental», sem contrato de trabalho! Minha Missão sem território definido, nas fronteiras do indizível, deflorando a contracultura!

Ando em más companhias, leio coisas más (que fazem bem…); espalho heresias descartáveis; promovo atitudes que podem levar a vícios comprometedores!? Digo que primeiro está a Misericórdia e depois o Sacrifício; que primeiro está a Alegria (humor) e depois a Dor (sofrimento); que primeiro está o Corpo e só depois o Espírito se encarna… Primeiro o QUÊ ? MAS, quem disse e viveu assim, não fui eu, o primeiro, mas Ele quem anunciou um Reinado, em Espírito e de Verdade.

 

[COMENTÁRIO]:

O meu comentário, não é meu. É um lugar recorrente dizer que o que eu escrevo é o resultado do que leio, e não o contrário. Vou exemplificar. Por isso, o meu comentário aos meus factos, estritamente pessoais, ao tomar consciência deles deixam de o ser. Este comentário, não está dentro de mim (da Igreja que quero e ainda não amo) mas fora, longe, nos que se afastam e olham com olhos impiedosos. Línguas redondas e não afiadas.

 

Eis, então, um trecho sublime de uma leitura que não consegui adiar mais. Partilho a incómoda escrita de Margeurite Yourcenar:

«(…) – A dor desse porteito e a fúria dos seus carrascos enchem o mundo inteiro e ultrapassam o tempo. Nada pode impedir que tivessem sido um momento do eterno olhar de Deus. Cada pena e cada mal são infinitos na sua substância, meu amigo, e também infinitos no seu número.

– O que diz da dor, podia vossa reverência dizê-lo da alegria.

– Eu sei… Também tive as minhas alegrias… Cada alegria inocente é um pedaço do Paraíso… Mas a alegria não necessita de nós, amigo Sebastião, ao passo que a dor exige-nos sempre caridade. No dia em que a dor das criaturas nos for revelada, a alegria tornar-se-á tão impossível como ao Bom samaritano se tornou impossível repousar numa estalagem onde tinha vinho e mulheres, quando, a seu lado, sangrava um doente. Nem sequer entendo já a serenidade dos santos sobre a Terra e a sua bem-aventurança no Céu…

– Se alguma coisa percebo da linguagem devota, está o meu prior a atravessar a sua noite escura.

– Suplico-vos, meu amigo, que não queirais resumir esta minha angústia a qualquer piedosa prova no caminho da perfeição, que, aliás, nem sequer penso trilhar… Olhemos, antes, para a noite escura da humanidade. Temenos, pobres de nós, enganar-nos, sempre que lamentamos a ordem das coisas! (…)»[1].

 

A quem já leu, peço desculpa pela maçada da repetição. Mas, talvez, agora, temos a sintonia de uma leitura partilhada, que pode originar uma meditação mais amadurecida. Este texto diz TODO o meu presente. Quase tudo está lá na revisão dos conceitos. Nas lágrimas que não tenho. No bem que aspiro e teimo em não fazer por castração cultural. Doi mas cura.

Tenho defendido, porque vivo assim, um meio entre muitos outros possíveis, a leitura como terapia. Princípio, de toda a verdadeira cultura e saber. Fim, de todas as minhas escravidões e libertações. Para saber como estou – não fiz sublinhados e negritos… – eis o espírito e a matéria, de mais uma segunda-feira, não laica (hoje rezei missa, eu a S.Trindade, e o cosmos inteiro); bem hajam todos e todas, por esta leitura do bem comum.

A Vida também se lê. E com mais um esforço, a Vida também se escreve, na rocha e na areia.

Obrigado pela paciência. Vão desculpando! Stou de férias, mas VIVO!

 

Pedro José, Borralha – Portugal, 01 Outubro de 2007.

Caracteres (c/espaços): 4523

 


[1] YOURCENAR, Marguerite, A obra ao negro, Edição especial para Placresa – PLANETA, S.A., Barcelona, 2002, pp.138-139.

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