A M O R – por George HERBERT

 

Amor

 

O Amor me acolheu, mas a alma minha se acovardou

culpada de pó e pecado.

Mas clarividente, o Amor, vendo-me hesitar

desde o meu primeiro passo,

aproximou-se de mim com doçura, perguntando-me

se algo me faltava.

“Um convidado”, respondi, “digno de estar aqui”.

O Amor disse: “Tu o serás”.

“Eu, o mau, o ingrato? Ah, meu dileto,

não posso olhar-te”.

O Amor me tomou pela mão, sorrindo respondeu:

“Quem fez esses olhos, senão eu?”

“É verdade Senhor, mas os sujei;

que vá a minha vergonha para onde merece”.

“E não sabes tu?, disse o Amor, “quem tomou a condenação sobre si?”

“Meu dileto, então servirei”.

“É preciso que tu te sentes”, disse o Amor, “que tu proves meu alimento”.

Assim me sentei e comi”.

 

 

FONTE: HERBERT, George (1593-1633), poema “Amor”, Citado por VANNINI, Marco, Introdução à Mística, Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2005, p.39.

  

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