Mudança de texto de Aparecida revolta bispos

 

Mudança de texto de Aparecida revolta bispos

 

As comissões pastorais sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) protestaram contra a adulteração do documento da 5ª Conferência-Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe e pediram o restabelecimento do texto votado em maio pelos bispos do continente, em Aparecida. A reportagem é de José Maria Mayrink e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 17-08-2007.

As mais de 200 mudanças no Documento de Aparecida foram feitas pelo cardeal chileno Francisco Javier Errázuriz Ossa e pelo bispo argentino Andrés Stanovnik, respectivamente presidente e secretário-geral do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), antes de ser entregue ao papa Bento XVI.

“Consideramos que a alteração do texto foi um desrespeito aos participantes da Conferência de Aparecida e, por isso, estamos enviando uma carta ao secretário-geral da CNBB, D. Dimas Lara Barbosa, sugerindo que na tradução portuguesa seja publicada a versão original”, disse o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, D. Pedro Luiz Stringhini.

A questão será discutida na próxima semana, em Brasília, durante reunião do Conselho Episcopal Pastoral, constituído pela presidência da CNBB e pelos presidentes das Comissões Episcopais Pastorais. Os bispos que defendem o restabelecimento do texto original argumentam que, ao aprová-lo, o papa Bento XVI não sabia que ele havia sido alterado.

“Lamentamos principalmente as mudanças, com cortes e acréscimos, nos artigos referentes às Comunidades Eclesiais de Base (Cebs), apresentadas no texto original como mananciais de fraternidade e de justiça”, afirmou D. Pedro Luiz. Segundo o bispo, os participantes da reunião das Pastorais Sociais manifestaram sua insatisfação com a “edição” do documento.

O bispo de Jales (SP), D.  Luiz Demétrio Valentini, membro da Comissão para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, também está revoltado com as mudanças, mas propõe que os bispos procurem superar o incidente se não conseguirem a reposição do texto original.

“A interferência do Celam foi um equívoco que não poderia ter ocorrido, mas acho que Aparecida vale mais pelo contexto e, por isso, temos de assimilar o baque para não perder o clima positivo que a conferência trouxe”, argumenta D. Demétrio. “Embora se tenha mexido no texto, as Cebs continuam presentes no documento”, acrescenta.

O Documento de Aparecida, foi entregue a Bento XVI no dia 11 de junho pelos cardeais Errázuriz, Giovanni Battista Re e Geraldo Majella Agnelo, presidentes da 5ª Conferência-Geral.

D. Geraldo, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, disse que não sabia que o texto havia sido mudado e pede o restabelecimento da versão original.

 

 FONTE:http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=8980, acesso: 17/08/2007

  

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