Muito além do umbigo mora um «MESTRE»

 

Muito além do umbigo mora um «mestre».

 

Se o arrependimento fosse causa de morte, eu continuava vivo. É certo que arrependo-me perante certos «Mestres», que não serão condenados pelo Evangelho, na medida em que apontam e fazem luz sobre o verdadeiro Mestre dos mestres: Jesus Cristo. É disto que sinto necessidade de escrever com a intuição do instante. A relação com esse «tipo» de mestre cristificado arrasta somente para Deus, vida abundante (cfr. Jo 14,6;12).

 

Um pouco de memórias. Da adolescência um emerge na minha mente, Pe. Arménio. O relacionamento foi reservado. Que pode um adolescente de 15 anos fazer diante duma Montanha Sagrada? Ficar em silêncio e esconder a vergonha. Pe. Arménio era um Pedagogo na Fé e na Cultura, isso permanece em mim.

 

Depois vieram outros mestres, na categoria de professores (as), mas não vou escrever sobre isso. É um capítulo à parte. Mais tarde, ainda dentro dos padres surgiu o Pe. Urbino, dele já escreveu, Carlos Reis, meu condiscípulo, de forma sublime (cfr.“O Pe. URBINO – DesmAMAR!” in http://a-tento.blogspot.com/, acesso, 27-04-07). Está lá quase-tudo o que eu gostaria de ter escrito sobre o Pe. Urbino, e não fui capaz pela sua partida relâmpago.

 

Numa linha transversal surge a pessoa do bispo, António Marcelino. Com este Mestre omnipresente o aprendizado foi contínuo, e a distância só reforçou a dependência livre em relação ao seu modo de fazer a Igreja e a Evangelização. Já escrevi sobre isso, em Carta Aberta, (cfr. “Um homem para os outros!” in http://www.agencia.ecclesia.pt/pub/14/noticia.asp?jornalid=14&noticiaid=41031, acesso, 27-04-07). No passado-presente, fico por aqui, sendo injusto e ingrato, com mais três ou quatro nomes que a intimidade não permite revelar agora.

 

No presente-presença, escrevo sobre o Pe. Neves, meu superior na Missão, duma forma sintética. E na síntese ele é, também, mestre, dupla ousadia. Alguns traços na minha perspectiva.

Pe. Neves coloca «pressão nas pessoas» (bendito seja por isso!). O colocar pressão em tudo o que vive e sente e quer, origina divergências e convergências: morais, teológicas, pastorais (devíamos ter mais…), psicológicas e humanas. A «pressão» não é stress, é intensidade/densidade; mas a «pressão» pode levar a uma “vida stressada”.

No meu relacionamento com ele cabe a afirmativa de S. Teresa de Ávila: “Não quero ser santa. É tão difícil conviver com os santos!”. Não me compete julgar a santidade de ninguém. Pe. Neves é um profeta. Todos(as) os(as) santos(as) são profetas no seu ser e agir.

Defende o amigo até à morte, dá o que tem por inteiro (de forma generosa); pode ser contrariado na forma, não no conteúdo. Dá espaço de criatividade, mas não tolera o questionamento da Autoridade (não escrevi Poder, todos sabem a diferença). Amigo de todas as horas, fica acordado, “podre de sono”, quando chego tarde das actividades pastorais, para abrir a porta e perguntar como foi (devia falar mais e não sou capaz por idiossincrasia). O seu humor é irónico, inoportuno, instigante, pontes excelentes em sintonia inter-pessoal comigo: sempre aceito o jogo.

Tem na cabeça 10 projectos, dos quais 5 em execução imediata e simultânea. Quatro em estudo rápido, dois em processo de indecisão contínua e UM projecto em relacionamento directo com Deus, por meio do nosso Advogado, Espírito Santo, que ninguém suspeita. Dez projectos que são doze, pois é, o desdobramento, nunca o entendo. Eu tenho ideias a mais, ele tem projectos a mais: só dá casamento com separação de bens.

Eu não tenho a sua capacidade de trabalho e gestão (sobretudo esta), nem saúde (ele tem menos ainda) e vigor (ele tem em excesso). Será Workaholic ou Lovework? É os dois! Com o Pe. Neves, o ferro malha-se enquanto está quente, e também, quando está frio. Debater com ele é um desafio e um desenvolvimento; não entra em “brigas” fúteis e inúteis, ao contrário do que a maioria “acha”; e sabe respeitar “o inimigo”, ao contrário do que muitos criticam. Partilhamos muitos livros, mas insuficientes leituras, acaba por ser (a)normal.

Um dos meus trocadilhos favoritos é: Pe. Neves, de férias, temos mais trabalho na Paróquia, mas também temos menos trabalho paroquial”, é um paradoxo bem lógico! Assim vivo o presente, com viagem marcada e paga. Sem pressas, sem lentidões! Agradecido Pe. Neves! Lavei um pouco a minha alma, nas suas palavras, e por isso experimento Paz e Alegria, frutos da Justiça. O processo terapêutico está em curso. “Blink”, é a decisão num piscar de olhos com Fé!

 

Pedro José, Chapadinha, 27-04-2007.

Caracteres (espaço incluídos): 4436

 

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