Bom e Verdadeiro Ano de 2007 !

 

Caros(as) Amigos e Amigas!

Bom e Verdadeiro Ano de 2007!

 

Ando a tentar recuperar o gosto pela escrita; por essa razão envio esta mensagem.

Vou servir-me de palavras que não são minhas. Desta vez o meu sábio eleito é Karl Rahner (1904-1984), que costuma ser considerado – …quem quiser pode e deve saltar o parágrafo – o teólogo católico mais respeitável do século XX. Vale para Rahner a frase de Santo Agostinho: “Uma fé não pensada não é nada”. Lembro que Rahner pouco antes da sua morte defendeu Gustavo Gutierrez[1] (grande teólogo da libertação). Outro senhor, outrora conhecido por Joseph Ratzinger (vem ao Brasil este ano, o maior país católico (!?), e eu estou sumamente ansioso, junto com Nossa Senhora Aparecida, para que a sua Visita não faça desaparecidos…), enquanto era cardeal, “infernizou” a vida e obra de Leonardo Boff (grande teólogo da libertação). Ele, entretanto, foi feito Pontífice (ponte para todos), e é certo que já falou, em audiência particular, com Hans Küng [2], o que muito me agradou… Mas, há sempre um mas, na condição actual de missionário, assumo o povo e a cultura onde procuro viver o Evangelho. Por isso, crentemente, profetizo que Ele deve vir com o espírito de reconciliação pública, neste caso e noutros “pequeninos” problemas. Esta curiosidade sobre os dois alemães de gema lembra-me com ardor, as contradições saudáveis da nossa Igreja: Santa e Pecadora. Porque nós somos santos e pecadores!

 

Agora as palavras de Rahner, que faço “minhas” inspirações e transpirações, com as devidas desculpas ao sábio, para que sejam a luz e o sal do meu dia a dia, neste novo ano:

“O cristianismo é qualquer outra coisa menos uma explicação do mundo e da existência; pelo contrário, ele é justamente a proibição de considerar definitiva e em si mesma compreensível uma experiência qualquer ou uma cognição qualquer, por mais esclarecedoras que possam ser. Menos que qualquer outra pessoa, o cristão dispõe de respostas últimas, dignas de trazer este rótulo: ‘Agora isso está claro!”. Por outras palavras, ele não pode inserir o seu Deus como uma conta exacta no cálculo da sua vida; pode aceitá-lo apenas como mistério incompreensível em adoração silenciosa, como início e fim da sua esperança e, portanto, como sua salvação única, definitiva e total” [3]

 

Que em 2007 o-Deus-nosso, de todas as cores e feitios, de todos os pesos e medidas, de todos os rostos e corpos, de todas as imaginações e materializações, de todas as preces e ofensas, de todos os etc e ETCs, nos conceda em abundância os seus dois presentes favoritos: Consciência e Liberdade.

Em 2007, irei ser “obrigado” a exercer a ética teológica da decisão… e por isso estou com coragem-medo-fé… rezemos uns pelos outros. Pois a tarefa de discernir é a prática constante, todos nós o sabemos por experiência, para conhecer a vontade de Deus nas circunstâncias concretas da vida. Ninguém pode fugir de uma boa decisão.

 

Aos amigos(as) descrentes, agnósticos, ateus (para ser sincero acho que não tenho nenhum/nenhuma verdadeiramente… mas fica a provocação amistosa…prefiro a sua Amizade à Fé, que ninguém nos leia…). O meu obrigado por tudo e por nada.

Aos Amigos(as) crentes, como eu (não quero, novamente, ofender ninguém…), que a comunicação aumente, entre nós, em conteúdo e frequência, pois para mim 2006 não foi muito bom…

 

Votos de Alegria (pela Fé); de Ternura (pela Esperança) e de Justiça (pelo Amor).

Xau e Bênção, pedro josé, padre.

 

PS. 1ª Sinceridade: agradecer, por este meio, todas as mensagens recebidas recentemente. 2ª Sinceridade: esta mensagem-circular, dispensa resposta. Sou pela informalidade gratuita. 3ª Sinceridade: o melhor é mesmo o RAHNER. Lê-lo faz doer a cabeça, mas cura o coração… Ele é o centro, eu apenas aponto…

 

[1] Sobre este teólogo e a vitalidade da Teologia na vida da Igreja da América Latina, pode ser lido o artigo: GOGÓ, Roberto Malvezzi, “Gustavo Gutiérrez: ‘esqueceram de me convidar para seu funeral’” in http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang= PT&cod=24550, acesso: 03-01-2007.

[2] LIMA, Luís Corrêa, “Bento 16 e Hans Kung” in http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang= PT&cod=19630, acesso: 03-01-2007. Pode-se ler no excelente artigo: “O papa Bento 16 recebeu (24-09-2005) um teólogo polémico, o suíço Hans Küng. Ambos, quando jovens sacerdotes, lecionaram teologia na mesma época na universidade alemã de Tubinga. No Concílio Vaticano II, os dois trabalharam como peritos auxiliando os bispos alemães. Logo no início do pontificado de João Paulo II, Küng teve sua licença de teólogo cassada pelo Vaticano. Ele pôde continuar lecionando em Tubinga, mas não como teólogo católico”.

[3] K. RAHNER, Motivazioni della fede oggi, in Teologia dall´esperienza dello Spirito. Nuovi saggi, VI. Roma, Paoline, 1978, p.36. Citado por SANNA, Iganzio, Karl Rahner – Teólogos do Século XX, Edições Loyola, São Paulo, 2004, pp.46-47.

 

Opinião | Pedro José| 18/01/2007 | 15:06 | 4893 Caracteres

FONTE:  http://www.agencia.ecclesia.pt/pub/14/noticia.asp?jornalid=14&noticiaid=41685

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